China solicita mais tempo para debate sobre financiamento na COP30

Ucrânia pede ressalva sobre a Rússia nas discussões climáticas

China solicita mais tempo para debate sobre financiamento na COP30
Discussões na COP30 sobre financiamento climático. Foto: Governo Federal

China pede mais tempo para discutir financiamento na COP30, enquanto a Ucrânia solicita ressalva sobre a Rússia.

China pede mais tempo para discussão sobre financiamento

A delegação da China, durante a abertura da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada nesta segunda-feira (10), solicitou mais tempo para debater o artigo 9.1 do Acordo de Paris, que estabelece as obrigações dos países desenvolvidos em relação ao financiamento para nações em desenvolvimento. A manifestação da China interrompeu as discussões nos órgãos subsidiários da conferência, ressaltando a importância do tema nas negociações climáticas.

O artigo 9.1 é considerado um dos pontos mais sensíveis das negociações, pois aborda diretamente a obrigação legal dos países ricos de fornecer recursos às nações em desenvolvimento. Esse dispositivo foi criado para reconhecer que os países desenvolvidos, que historicamente emitiram mais gases de efeito estufa, têm uma responsabilidade financeira com os países que enfrentam os efeitos das mudanças climáticas.

Objeção chinesa e apoio da Arábia Saudita

Durante as discussões, a delegação chinesa expressou que a pauta foi introduzida sem aviso prévio, o que dificultou a participação de especialistas financeiros. Um representante chinês argumentou que muitos delegados não estavam preparados para um debate tão complexo. A Arábia Saudita apoiou a posição da China, indicando que seus negociadores também estavam ocupados em outras sessões e não foram informados adequadamente sobre a inclusão do tema na agenda.

Discussões sobre a Rússia e a Ucrânia

Outra questão em destaque foi a solicitação da Ucrânia para que a COP30 faça uma ressalva a respeito dos relatórios apresentados pela Rússia. A Ucrânia, sob a liderança de Vladimir Putin, considera que a Rússia ocupa ilegalmente partes de seu território, como a Crimeia. A representante ucraniana, Olha Yushkevych, afirmou que essa prática é uma forma de enfatizar que o domínio russo é temporário, evitando a consolidação da ideia de que a Rússia detém plenos poderes sobre essas áreas.

União de países latino-americanos em apoio ao Comitê de Adaptação

Além das discussões sobre financiamento e territórios, a COP30 também testemunhou uma união de países latino-americanos em apoio ao Comitê de Adaptação, entidade essencial para assegurar recursos e vozes das nações em desenvolvimento. Países como Uruguai, Colômbia e Argentina endossaram as atividades do comitê, que é visto como vital para garantir que as necessidades dos países mais vulneráveis sejam atendidas nas discussões climáticas.

Posição do Brasil nas negociações

O Brasil, por outro lado, não se manifestou durante os debates. A estratégia do Itamaraty, conforme reportado, é assumir uma posição de liderança na COP30 sem se alinhar a nenhum dos lados do debate, buscando evitar discursos polarizadores. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, orientou que o Brasil adote um papel mais moderado, focando em construir consenso ao invés de reivindicações isoladas.

Essas discussões marcam o início de um evento que promete ser decisivo para as políticas climáticas globais, refletindo as complexidades e tensões que cercam as negociações entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal