A COP30, conferência climática da ONU a ser realizada em Belém, focará em estratégias para mitigar os impactos de um planeta que já ultrapassou o limite de 1,5ºC de aquecimento. Em vez de apenas discutir como evitar o inevitável, o Brasil, na presidência da cúpula, busca soluções inovadoras para reverter o quadro. Diplomatas apontam para a necessidade de “gatilhos positivos” capazes de gerar um efeito cascata rumo à recuperação ambiental.
Central para essa nova abordagem é o chamado “Pix climático”, uma reestruturação do financiamento global para conectar recursos diretamente às comunidades vulneráveis. A ideia é facilitar a implementação de soluções locais, como painéis solares e construções resilientes. Um vídeo apresentado pela presidência da COP30 a autoridades de diversos países detalha essa visão.
“As primeiras 29 COPs aconteceram em uma realidade onde nos esforçávamos para evitar ultrapassar os limites da Terra”, afirma o vídeo. “Em Belém, teremos a primeira COP a acontecer em uma nova realidade: a primeira na qual podemos ter certeza de que ultrapassaremos limites”. A mudança de narrativa é crucial, conforme apontam diplomatas.
A percepção é que os problemas do multilateralismo, a geopolítica e a própria crise climática exigem uma nova abordagem. É necessário mobilizar a sociedade e a economia em torno do tema, além das negociações tradicionais entre países. Uma consultoria independente está avaliando mudanças nos procedimentos da UNFCCC para aumentar a eficácia das negociações.
Diplomatas reconhecem que o discurso sobre evitar o aquecimento de 1,5ºC não transmite claramente os impactos negativos na vida da população, como inflação e problemas de saúde. A nova narrativa busca substituir o medo pelo incentivo à ação, promovendo um modelo econômico adaptado à nova realidade climática. “A história global da mudança do clima [precisa] passar do medo para a ação. Do caos para a estabilidade. E da inflexão rumo ao perigo para a aceleração para fora dele”, resume o vídeo.
A proposta do “Pix climático” se inspira no sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, que conectou contas bancárias diretamente através de CPFs. A ideia é criar um sistema automatizado, com inteligência artificial, que direcione recursos climáticos para soluções que beneficiem as populações mais vulneráveis. Isso destravariam o financiamento climático em escala global.
Outras iniciativas com potencial de gerar um efeito cascata positivo incluem o hidrogênio verde, fertilizantes sustentáveis e a remuneração pela regeneração de florestas. O setor de energia renovável, mesmo com obstáculos, demonstra o potencial desse efeito cascata, impulsionado pela demanda crescente e avanços tecnológicos.










