A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o principal órgão de fiscalização nuclear das Nações Unidas, realizará uma visita ao Irã nas próximas duas semanas. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, poucos dias depois do diretor da agência sinalizar a disposição de Teerã em retomar as negociações técnicas. A visita ocorre em um momento de crescente tensão em torno do programa nuclear iraniano.
Baghaei informou que um manual detalhando a futura cooperação entre o Irã e a AIEA será apresentado, baseado em uma recente legislação parlamentar que impõe restrições a essa colaboração. Essa lei estabelece que qualquer inspeção futura das instalações nucleares iranianas pela AIEA necessitará da aprovação prévia do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, adicionando uma camada de complexidade ao processo de monitoramento.
A AIEA tem expressado preocupação em retomar as inspeções, especialmente após relatos de ataques aéreos israelenses e americanos no mês passado, supostamente destinados a neutralizar o programa nuclear iraniano. A agência busca verificar os estoques iranianos de urânio, particularmente os cerca de 400 kg de urânio altamente enriquecido, cujo paradeiro é motivo de apreensão. O Irã, por sua vez, sempre negou qualquer intenção de desenvolver armas nucleares, insistindo que seu programa tem fins estritamente pacíficos.
O porta-voz iraniano reiterou que o país poderá retomar as negociações indiretas com os Estados Unidos se considerar que seus interesses nacionais estão em jogo. No entanto, Baghaei afirmou que não há planos imediatos para uma sexta rodada de negociações nucleares com Washington. “Retomaremos as negociações se for do interesse do país”, declarou.
Irã e Estados Unidos já realizaram cinco rodadas de negociações mediadas por Omã, que foram interrompidas após o conflito de 12 dias entre Irã e Israel no mês passado. Um dos principais pontos de discórdia nas negociações anteriores foi a demanda de Washington para que Teerã cesse o enriquecimento de urânio em seu território. Baghaei defendeu que, como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear, o Irã tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos.
Fonte: http://www.cnnbrasil.com.br





