Tarcísio, Caiado e Ratinho Jr alertam para prejuízos das tarifas dos EUA e acusam Planalto de inação
Faltando poucos dias para o tarifaço de Trump entrar em vigor, governadores brasileiros elevaram o tom contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste sábado (26), durante evento da XP voltado a empresários, investidores e profissionais do setor econômico. Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Jr (PR) foram aplaudidos ao criticarem a condução da diplomacia brasileira diante da decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 1º de agosto.

O governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD), foi direto: “Temos um governo que demonstra que não sabe onde quer chegar. Sobre uma questão tão importante, que é o tarifaço de Trump, o Brasil muitas vezes se vitimiza demais. Trump fez isso com a China, Índia, Canadá e México”, disse, destacando que o país deveria adotar uma postura pragmática para minimizar os impactos da medida.
Críticas ao Palácio do Planalto
Para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), as novas tarifas representam ameaça concreta às exportações paulistas, especialmente no setor agrícola. “Estamos buscando diálogo com parlamentares, empresas e agentes do governo americano. Mas vivemos um momento em que querem tirar proveito do país, dividindo ainda mais o Brasil”, alertou, reforçando que a resposta do governo Lula tem sido lenta e pouco efetiva.
Já o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou que os estados estão “sofrendo com a irresponsabilidade do governo federal”. “Nem eu, nem Tarcísio, nem Ratinho fomos consultados antes dessa posição. Estamos pagando o preço pela inação do presidente Lula, que até hoje não enviou ninguém com capacidade de negociar com Washington”, criticou, destacando que a diplomacia brasileira perdeu credibilidade sob a atual gestão.
Necessidade de diálogo real
Os governadores defenderam que a única saída viável para o impasse é restabelecer canais diplomáticos com os Estados Unidos. “É alguém ir lá, sentar com eles e parar de falar em desdolarização do comércio. A Índia e a China nunca tocaram nesse assunto, e o Brasil quis levantar essa pauta, o que demonstra falta de inteligência”, acrescentou Ratinho Jr.
Tarcísio concordou com o colega paranaense: “Se não colocarmos a bola no chão, agirmos como adultos e resolvermos o problema, quem perde é o Brasil”, disse, lembrando que os impactos das tarifas atingirão diretamente os produtores e exportadores brasileiros.
Caiado também voltou a criticar a política externa do governo Lula: “O Itamaraty foi destruído. Hoje está muito mais ideológico, enquanto o Brasil se perde em frases de efeito. Precisamos de responsabilidade e estratégia para enfrentar o tarifaço de Trump”.
Reação do governo
Em resposta às críticas, Lula afirmou durante evento em São Paulo, na sexta-feira (25), que designou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para liderar as negociações com Washington. No entanto, o petista admitiu que o diálogo tem encontrado barreiras: “Ninguém quer conversar com ele”, disse, referindo-se à dificuldade de agenda com autoridades norte-americanas.
O presidente ainda enviou um recado a Trump: “Quando quiser conversar, o Brasil está pronto para te mostrar a verdade. Quando souber a realidade, você vai dizer: ‘Lula, eu não vou mais taxar o Brasil, vamos manter tudo como está’”, declarou, pedindo “delicadeza e respeito” nas relações bilaterais.
Preocupação com impacto econômico
O tarifaço de Trump atinge um momento delicado para a economia brasileira, podendo comprometer cadeias produtivas e prejudicar setores estratégicos, como o agronegócio. Produtores rurais já calculam possíveis perdas bilionárias, especialmente em exportações de commodities, laranja e carnes.
Para os governadores, a falta de ação coordenada do Planalto agrava o cenário. “Estamos diante de um problema sério, e o governo federal parece mais preocupado em discutir pautas ideológicas do que em proteger a economia nacional”, resumiu Tarcísio.
Com o prazo para a entrada em vigor das tarifas se aproximando, cresce a pressão sobre o governo Lula para apresentar soluções concretas. Enquanto isso, os governadores prometem intensificar esforços para preservar empregos e garantir competitividade às exportações brasileiras.










