A megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes, teve um impacto “ínfimo” na desarticulação do Comando Vermelho (CV). A avaliação foi feita pelo subsecretário de Inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Daniel Ferreira, durante audiência no Senado.
A declaração, proferida na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, expõe a fragilidade da ação em enfraquecer a estrutura do crime organizado. Apesar do alto número de mortos, a operação não atingiu o objetivo de desmantelar o poderio do CV, conforme apontou o subsecretário.
Segundo Ferreira, a operação teve um efeito simbólico importante ao demonstrar a capacidade do Estado de entrar em áreas dominadas pelo crime. “Foi importante a nível simbólico para o Estado mostrar que é capaz de entrar em qualquer local”, disse ele, ressaltando que a ação subverteu a narrativa do CV sobre o controle de territórios.
O subsecretário também defendeu uma maior integração entre as forças federais e estaduais no combate ao crime organizado. “O Brasil precisa entender que há Estados dentro do próprio Estado. Se não enxergarmos isso, estaremos fadados a muitos problemas”, alertou Ferreira.
Durante a mesma audiência, o coordenador-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Pedro de Souza Mesquita, alertou para a expansão nacional do Comando Vermelho. Segundo ele, o grupo criminoso atua hoje em quase todo o território brasileiro, consolidando sua presença a partir de alianças locais e oferecendo uma rede de logística para armas e drogas.
Mesquita explicou que a expansão do CV se intensificou após a dispersão de lideranças do Rio de Janeiro, especialmente durante o período das UPPs. O CV está presente em todos os estados do Norte, exceto Roraima e Amapá, e mantém atuação relevante em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. A Abin também alertou para o surgimento de novos grupos, como o Terceiro Comando Puro, que replicam os métodos do CV.










