Auditoria da CGU aponta falhas na gestão dos estoques e validade de produtos

O SUS pode ter perdido até R$ 7,3 bilhões em vacinas e insumos entre 2021 e 2023, segundo a CGU.
Em Guarulhos, 1 de novembro de 2023 — O Sistema Único de Saúde (SUS) pode ter perdido até R$ 7,29 bilhões em vacinas, medicamentos e outros insumos de 2021 a 2023, segundo auditoria conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU). O valor considera cerca de R$ 2,31 bilhões em produtos comprados pelo Ministério da Saúde que venceram ainda no estoque da pasta, e R$ 4,98 bilhões tratados como ‘perda potencial’, que inclui insumos entregues com menos de 90 dias de validade.
Falhas na gestão e impacto das vacinas
As vacinas da Covid-19 respondem pela maior parte das perdas, de acordo com a CGU. O governo atual culpa a gestão anterior pela validade expirada dos lotes e afirma que as perdas estão concentradas nas aquisições realizadas até 2022. Durante a auditoria, o Ministério da Saúde declarou que as compras foram feitas em cenários imprevisíveis e discordou da metodologia da CGU para calcular a ‘perda potencial’. A CGU, por sua vez, afirmou que há evidências de que insumos com menos de 90 dias de validade realmente se perderam na cadeia logística.
Medidas para modernização
Em resposta, o Ministério da Saúde destacou que está implementando medidas para modernizar a gestão dos estoques. Entre as ações estão a criação de uma Sala de Situação, monitoramento contínuo e compras com entregas flexíveis. A CGU ainda recomenda a definição de um percentual aceitável de perda de estoque e a modernização do sistema de gestão Sismat, o que o ministério afirmou que irá realizar, incluindo ferramentas de inteligência artificial.
Perdas efetivas e potenciais
A auditoria revelou que cerca de R$ 2 bilhões das perdas efetivas são de vacinas da Covid, além de R$ 213 milhões em vacinas de outras doenças e insumos. A CGU também observou que a queda na cobertura vacinal pode ter contribuído para as perdas. Além disso, a CGU considerou que a conta não inclui casos mais recentes, como o desperdício de 80% de um lote de 10 milhões de doses da Coronavac, que superou R$ 260 milhões. Os dados sobre o estoque do ministério foram mantidos em sigilo desde 2018, mas voltaram a ser divulgados em 2023, revelando a gravidade da situação.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br










