O Tribunal de Contas da União (TCU) acendeu o alerta para um possível esquema de desvio de recursos do programa Bolsa Família (PBF). Uma análise de dados do Banco Central revelou a transferência de aproximadamente R$3,7 bilhões de contas de beneficiários para empresas de apostas online apenas em janeiro de 2025. A magnitude dos valores e o perfil das transações levantaram sérias suspeitas de uso irregular de CPFs.
Embora não se possa afirmar que todo o montante provenha diretamente do programa social, o volume expressivo das transferências e a concentração em um pequeno grupo de apostadores chamaram a atenção da corte de contas. O relator do processo, ministro Jhonatan de Jesus, destacou a preocupante concentração das transações: “apenas 4,4% das famílias que apostaram foram responsáveis por 80% de todo o valor movimentado”.
O TCU suspeita que os CPFs dos beneficiários estejam sendo utilizados indevidamente, possivelmente em crimes como lavagem de dinheiro, fraudes financeiras e ocultação de bens. A corte de contas alertou para a possibilidade de terceiros estarem realizando as movimentações utilizando os dados dos beneficiários sem o seu consentimento.
Diante da gravidade da situação, o TCU determinou que o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, e o Banco Central apresentem, em até 90 dias, um plano de ação robusto. Esse plano deve incluir medidas eficazes para rastrear movimentações bancárias incompatíveis com o perfil dos beneficiários e combater inclusões indevidas no programa.
Os casos mais graves, com indícios de fraudes milionárias, serão encaminhados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), à Receita Federal e ao Ministério Público Federal para investigação. O objetivo é apurar os fatos, identificar os responsáveis e aplicar as devidas punições penais.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










