O governo brasileiro se prepara para lançar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), uma iniciativa ambiciosa que visa atrair investimentos públicos e privados para a conservação ambiental. A gestão de Luiz Inácio Lula da Silva enxerga o fundo como um marco de sua atuação na área ambiental, almejando apresentá-lo como um legado concreto durante a COP30.
No entanto, o otimismo inicial enfrenta um desafio crucial: o ritmo lento de adesões. Até o momento, apenas Brasil e Indonésia se comprometeram com aportes de US$ 1 bilhão cada. Embora Alemanha e Noruega tenham manifestado interesse, ainda não divulgaram valores específicos.
O modelo proposto prevê que até 74 países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, recebam pagamentos em troca da manutenção de suas florestas. A fiscalização será rigorosa, com monitoramento via satélite, e os recursos serão destinados diretamente aos governos nacionais, incentivando a preservação ambiental.
Lula enfatiza que o TFFF representa uma nova abordagem, não se tratando de doação, mas de investimento. “Um fundo de pensão pode investir, um empresário pode investir, um governo pode investir”, declarou o presidente, ressaltando o potencial do fundo para atrair diferentes tipos de investidores. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, compartilha da visão otimista, considerando a iniciativa como uma das principais marcas a serem deixadas pela COP30 no Brasil.
A meta é ambiciosa: captar US$ 25 bilhões de diversos países, especialmente os mais ricos, e mais US$ 100 bilhões por meio da emissão de dívida no mercado privado. Rafael Dubeux, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda, reconhece que alguns países podem anunciar seus aportes em momentos diferentes, aguardando a tramitação interna de suas decisões.
O Banco Mundial será responsável por administrar o fundo, investindo os US$ 125 bilhões em uma carteira diversificada de renda fixa. Os rendimentos, estimados entre 7% e 8% ao ano, remunerarão tanto os investidores quanto os países que preservarem suas florestas. Os investidores devem receber cerca de 4% ao ano, um valor similar ao rendimento dos títulos do Tesouro americano.
Após a remuneração dos investidores, o restante dos recursos, estimado entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões anuais, será distribuído aos países que preservam suas florestas tropicais. Segundo Dubeux, esse valor pode, em muitos casos, superar os orçamentos nacionais destinados ao meio ambiente. O valor a ser repassado é de US$ 4 por hectare, ajustado anualmente pela inflação, com reduções em caso de desmatamento ou degradação por fogo.
O governo brasileiro complementa o TFFF com o mercado de carbono, que foca na recuperação de áreas já desmatadas. “A gente espera que o TFFF seja uma das grandes entregas da COP”, afirma Dubeux, demonstrando otimismo mesmo diante dos desafios iniciais de financiamento.










