Analistas avaliam possibilidades de redução da taxa após decisão do Copom

Após a manutenção da Selic em 15% ao ano, analistas divergem sobre o momento de iniciar cortes nos juros. Alguns acreditam que já é possível em dezembro, enquanto outros são mais cautelosos.
Na quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros do Brasil em 15% ao ano, uma escolha já esperada por muitos analistas. No entanto, as perspectivas futuras em relação a cortes na Selic geram opiniões divergentes entre os economistas.
Expectativas de cortes em debate
Enquanto alguns especialistas acreditam que o cenário já permite uma redução da Selic em dezembro, outros são mais cautelosos. Os defensores de uma queda mais rápida apontam para a recente desaceleração da inflação e a influência da política monetária dos Estados Unidos, onde o Federal Reserve cortou os juros em 0,25 ponto percentual. Essa situação poderia levar investidores a buscar retornos mais altos no Brasil, valorizando o câmbio e ajudando a controlar a inflação.
Fatores que impactam a decisão
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, acredita que a Selic começará a cair em janeiro. Ele ressalta a necessidade de manter a taxa elevada devido à inflação de serviços e à baixa taxa de desemprego. Com a inflação em queda, a manutenção da Selic em 15% resulta em um aumento da taxa real de juros, sugerindo que o Copom deve ajustar os juros básicos para acompanhar a queda da inflação.
Por outro lado, Tatiana Pinheiro, economista-chefe da Galápagos Capital, defende que o afrouxamento monetário pode ser iniciado em dezembro, ressaltando a baixa pressão inflacionária nos preços livres e no atacado. Ela acredita que as expectativas de inflação estão se aproximando da meta de 3%, enquanto a atividade econômica mostra sinais de desaceleração.
Desafios e cautelas
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, é mais pessimista sobre a possibilidade de cortes, prevendo que isso só aconteceria em março de 2026, citando a alta indexação de preços no Brasil. Ele acredita que a inflação só entrará em uma “zona de conforto” nesse período, quando a taxa anual deve se situar em torno de 3,8%.
A manutenção da taxa Selic e as indicações do Copom sobre uma política monetária contracionista foram amplamente discutidas entre especialistas, que ressaltaram a necessidade de vigilância em relação aos indicadores econômicos nos próximos meses.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br










