Hugo Motta exonera servidoras fantasmas após denúncia

Presidente da Câmara demitiu duas funcionárias envolvidas em série de reportagens

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), exonerou duas servidoras do seu gabinete após a revelação de indícios de que elas seriam funcionárias fantasmas. A decisão veio no mesmo dia de reportagens de diferentes veículos mostrarem que as assessoras não foram encontradas na sede da Câmara durante o expediente e tampouco retornaram às tentativas de contato feitas pelas equipes de jornalismo.

Hugo Motta está há menos de um ano no comando da Câmara dos Deputados (Ueslei Marcelino/ Reuters)

As exonerações foram publicadas na terça-feira (16) no Diário Oficial da Casa e atingem duas mulheres que ocupavam cargos comissionados no gabinete de Motta em Brasília.

Hugo Motta não respondeu diretamente aos questionamentos, mas decidiu demitir as duas assessoras logo após a publicação da denúncia. Em nota, a assessoria do deputado informou que a medida foi tomada “imediatamente” após a veiculação das reportagens, com o objetivo de preservar “a transparência e a regularidade” do exercício do mandato.

Além da demissão, o presidente da Câmara determinou a abertura de uma apuração interna para esclarecer o caso. A suspeita é de que as servidoras estivessem apenas nomeadas, sem de fato prestar serviço ao gabinete, o que configuraria um caso clássico de funcionárias fantasmas, prática ilegal e passível de responsabilização civil, administrativa e até criminal.

A repercussão foi imediata nos bastidores da Câmara, especialmente porque Hugo Motta assumiu a presidência da Casa há poucos meses. Motta, que é hoje uma das maiores autoridades do país, tem tentado se projetar como um defensor da “gestão eficiente” do Legislativo.

O episódio, no entanto, impôs desgaste político em meio ao curto período em que ele está à frente da Mesa Diretora. O caso também reabre um debate antigo dentro da Câmara: a fragilidade dos mecanismos de controle sobre os cargos comissionados e a ausência de fiscalização efetiva sobre a presença e produtividade dos assessores nomeados por parlamentares.

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