Deputado Nikolas Ferreira lidera ofensiva na Câmara e acusa Lula de comprometer dignidade nacional nas relações com os EUA
Nikolas Ferreira protocola impeachment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando supostas violações à dignidade nacional e condutas incompatíveis com o cargo no campo da política externa. A iniciativa foi oficializada na terça-feira (15) na Câmara dos Deputados e conta com o apoio de outros 71 parlamentares.

O documento apresentado à presidência da Casa aponta que Lula teria adotado uma linha diplomática prejudicial aos interesses do Brasil, especialmente nas relações com os Estados Unidos. O grupo de deputados afirma que essa condução teria contribuído diretamente para a decisão recente do governo norte-americano, liderado por Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Base legal e acusações
O pedido de impeachment tem como fundamento os artigos 5º, inciso VI, e 9º, inciso VII, da Lei 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade, além do artigo 52, inciso II, da Constituição Federal. Segundo os parlamentares, o presidente cometeu crime ao celebrar “ajustes que comprometem a dignidade da Nação” e agir de forma “incompatível com a honra, a dignidade e o decoro do cargo”.
Os deputados pedem que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dê andamento ao processo, iniciando com a leitura do pedido em plenário, seguido da formação de uma comissão especial e posterior votação da admissibilidade. Se aprovado por dois terços dos deputados, o caso será encaminhado ao Senado Federal para julgamento.
Dez episódios listados
A denúncia elenca dez episódios ocorridos entre fevereiro de 2023 e julho de 2025 como provas do que os signatários consideram um desvio de conduta por parte de Lula. Entre os principais atos citados estão:
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Autorização para a atracação de navios militares iranianos em portos brasileiros;
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Declarações críticas aos Estados Unidos feitas durante visita oficial à China;
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Afirmações públicas negativas sobre o ex-presidente Donald Trump em entrevistas;
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Nota oficial do Itamaraty condenando ações de Israel contra o Irã;
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Defesa da desdolarização em reuniões do BRICS, sugerindo a adoção de moedas alternativas ao dólar;
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Recusa em atender solicitações dos EUA para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
De acordo com os deputados, tais ações não apenas deterioram a imagem do Brasil no exterior, mas também fragilizam relações estratégicas e expõem o país a retaliações econômicas, como a tarifa imposta pelos Estados Unidos.
Alinhamento com regimes autoritários
Outro ponto abordado na peça é a alegada aproximação do governo Lula com países de perfil autoritário, como China, Rússia e Irã. Os parlamentares afirmam que essa escolha geopolítica estaria comprometendo o alinhamento histórico do Brasil com democracias ocidentais e influenciando negativamente acordos comerciais, além de isolar o país em fóruns internacionais.
Para os autores do pedido, a política externa, embora constitucionalmente atribuída ao Executivo, não pode contrariar os valores nacionais nem comprometer os interesses do Estado brasileiro.
Apoio suprapartidário
A movimentação foi liderada por Nikolas Ferreira (PL-MG), mas o documento conta com assinaturas de parlamentares de diversas legendas, como PL, Republicanos, União Brasil, PP, Novo, PSD e MDB. Entre os nomes estão Marco Feliciano, Bia Kicis, Ricardo Salles, Caroline de Toni, Marcel van Hattem, Luiz Lima, Zé Trovão e Mario Frias.
O grupo argumenta que a resposta do governo dos EUA às declarações e posturas de Lula revela a gravidade da situação. Eles entendem que o episódio das tarifas foi o ponto de ruptura que motivou a formalização do pedido.
Clima de tensão na Câmara
A apresentação do pedido de impeachment amplia a tensão política no Congresso, em um momento de debates intensos sobre a política externa do governo e seus impactos na economia. O tema deverá ganhar espaço nos próximos dias, principalmente se Hugo Motta decidir dar prosseguimento ao trâmite.
A oposição considera que, mesmo que o processo não avance no curto prazo, a denúncia servirá para marcar posição política e aumentar a pressão sobre o Planalto.
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