Clara Charf, ativista e viúva do guerrilheiro Carlos Marighella, faleceu nesta segunda-feira, 3 de junho, aos 100 anos. A informação foi divulgada pela Associação Mulheres Pela Paz, organização da qual era fundadora e presidenta. Clara estava hospitalizada e chegou a ser intubada devido a causas naturais.
Para a associação, Clara Charf deixa um legado de incansável defesa dos direitos humanos e da equidade de gênero. “Clara foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos. Difícil dizer que ela apagou. Porque uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todas e todos que tiveram o enorme privilégio de aprender com ela. Vá em paz, querida guerreira”, declarou a organização em comunicado.
Nascida em Maceió, Alagoas, Clara era filha de judeus russos que buscaram refúgio no Brasil. A trajetória de Clara foi marcada por desafios e reinvenções, especialmente após o envolvimento com Carlos Marighella, que se tornou seu companheiro e a inspirou na luta por um Brasil mais justo.
Desde cedo, aos 16 anos, Clara demonstrou interesse pela política, ingressando no Partido Comunista Brasileiro. Em 1947, casou-se com Marighella e, assim como ele, enfrentou a perseguição e a prisão durante o período da ditadura militar. Após a morte do marido, exilou-se em Cuba, retornando ao Brasil somente com a anistia em 1979.
De volta ao país, Clara Charf dedicou-se ativamente à luta pelos direitos das mulheres, pela liberdade e por uma sociedade mais igualitária. Em 2005, coordenou no Brasil o movimento Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo, uma iniciativa global que buscava indicar mil mulheres ao Prêmio Nobel da Paz. Mesmo não sendo eleita deputada estadual em 1982, Clara continuou sua luta por um Brasil mais igualitário e justo. Seu legado permanece vivo nos projetos de conscientização pelos direitos das mulheres, causa que defendeu ao longo de toda a sua vida.
Fonte: http://agorarn.com.br










