Empresa paranaense suspende atividades por 15 dias diante do impacto direto da nova tarifa de 50% imposta pelos EUA, que afeta o setor madeireiro.
A crise gerada pela nova política tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil já começa a produzir reflexos concretos na economia nacional. A Millpar, uma das maiores madeireiras do Paraná, anunciou férias coletivas para seus colaboradores em Guarapuava, após o anúncio da elevação da tarifa americana de 10% para 50% sobre produtos brasileiros. A medida, classificada como emergencial, ocorre em meio ao impacto direto que o tarifaço terá sobre as exportações da empresa para seu principal mercado consumidor: os EUA.

A decisão foi oficializada nesta sexta-feira (11), com a suspensão temporária das atividades a partir de segunda-feira, 14 de julho, por um período inicial de 15 dias — podendo ser prorrogado por mais 15. A empresa afirma que a paralisação visa garantir a adaptação estratégica ao novo cenário internacional, agravado por pressões políticas ligadas à tentativa de apoio do governo Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Efeitos da tarifa e crise instalada
A nova taxação norte-americana tem sido vista por analistas e autoridades brasileiras como uma reação política da gestão Donald Trump à situação jurídica de Bolsonaro, que responde a ações no Supremo Tribunal Federal. Há suspeitas de que a medida, embora revestida de um discurso comercial, tenha motivações de natureza geopolítica e ideológica.
O mercado madeireiro paranaense, altamente dependente das exportações aos EUA, é um dos primeiros a sentir o impacto direto. A Millpar, instalada entre o Parque Tecnológico Cidade dos Lagos e o distrito da Palmeirinha, informou que a alteração tarifária compromete a viabilidade das operações comerciais com os Estados Unidos, que até então respondiam por grande parte de sua receita internacional.
Em 2024, o setor madeireiro brasileiro exportou mais de US$ 528 milhões, sendo os EUA responsáveis por mais de 60% desse volume — o que inclui produtos fabricados pela Millpar.
Medidas adotadas pela empresa
Segundo a empresa, a decisão faz parte de um pacote de medidas planejado por seu Comitê de Crise. Entre as ações estão o replanejamento da produção, o corte no orçamento vigente e a priorização da liquidez financeira da companhia.
“Estamos reavaliando a carteira de pedidos e a dinâmica das operações para adaptar nossa produção de forma estratégica, alinhada às novas restrições comerciais”, declarou o CEO, Ettore Giacomet Basile, em nota oficial.
Os gestores de cada setor da empresa serão responsáveis por comunicar diretamente os colaboradores sobre os detalhes das férias coletivas, respeitando a particularidade de cada operação. A empresa não descarta a prorrogação do recesso por mais 15 dias, caso o cenário continue instável.
Além disso, o CEO reforçou que a empresa continuará monitorando o cenário internacional e atuando com firmeza para superar o momento crítico:
“Essa fase exige sacrifícios e vamos atravessá-la preservando o essencial: nossas pessoas e a continuidade da nossa história.”
Governo busca reação coordenada
O vice-presidente Geraldo Alckmin já se manifestou sobre os efeitos da decisão dos EUA, afirmando que o governo brasileiro avalia alternativas para contornar os impactos da tarifa. Entre elas está o uso da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso e sancionada por Lula, para responder a medidas unilaterais que prejudiquem setores estratégicos da economia brasileira.
Ainda assim, empresas como a Millpar seguem sem respostas objetivas no curto prazo e buscam soluções internas para garantir a sobrevivência diante do novo contexto de instabilidade comercial.
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