A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou a identificação de 109 pessoas que morreram durante a Operação Contenção, deflagrada na última terça-feira nos complexos do Alemão e da Penha. A ação, que mobilizou um grande contingente de policiais, é considerada a mais letal da história do país, segundo o governo estadual, com um total de 121 mortos. Os números foram atualizados após um levantamento inicial divulgado na sexta-feira, que listava 99 nomes identificados.
De acordo com a Polícia Civil, 99 corpos já foram liberados para as famílias após passarem por perícia no Instituto Médico Legal (IML), sob um esquema especial acompanhado pelo Ministério Público. As autoridades informaram que, dos identificados, 43 possuíam mandados de prisão pendentes e ao menos 78 tinham histórico criminal. A corporação também destacou a presença de indivíduos de outros estados entre os mortos, reforçando o alcance nacional da facção Comando Vermelho.
As investigações apontam que os complexos da Penha e do Alemão funcionam como centros de comando e treinamento da facção, com intensa movimentação de drogas e armas. A megaoperação resultou na apreensão de um vasto arsenal, incluindo 93 fuzis, explosivos e munições, avaliados em R$ 12,8 milhões. “Cada fuzil retirado de circulação representa uma vida salva”, afirmou o governador Cláudio Castro, classificando a ação como um “sucesso”.
A Operação Contenção tinha como objetivo prender lideranças do Comando Vermelho, incluindo Edgar Alves de Andrade, o Doca, que segue foragido. No entanto, um levantamento da Folha revelou que alguns dos mortos possuíam mandados de prisão, mas não eram alvos da denúncia que motivou a operação. A ação policial desencadeou intensos tiroteios e bloqueios de vias, com relatos de criminosos utilizando drones para lançar explosivos.
Familiares de mortos e moradores dos complexos realizaram o ato “Chega de Massacre”, exigindo justiça e o fim da violência contra a população negra e periférica. A Defensoria Pública do Rio alegou que seu pedido de acompanhamento das perícias no IML foi negado, o que gerou controvérsia. A Polícia Civil justificou a restrição de acesso ao IML, limitando-o a policiais civis e membros do Ministério Público que acompanham os exames.










