PSOL pede prisão de Eduardo Bolsonaro por conspiração nos EUA


Para partido, ações do deputado junto a Trump atentam contra o Brasil e retomam plano golpista de 2023.

A prisão de Eduardo Bolsonaro foi formalmente solicitada pelo PSOL à Procuradoria-Geral da República (PGR), na quinta-feira (10), com base em acusações de que o deputado teria atuado deliberadamente nos Estados Unidos para prejudicar o Brasil. A ação alega que o parlamentar licenciado teria influenciado decisões do governo norte-americano, incluindo o recente aumento tarifário de 50% sobre produtos brasileiros anunciado por Donald Trump.

prisão de Eduardo Bolsonaro

De acordo com a notícia-crime apresentada pelo partido, Eduardo Bolsonaro estaria promovendo o que classificam como “sabotagem internacional” contra as instituições brasileiras, em um movimento interpretado como extensão das tentativas de desestabilização política que culminaram nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Lobby internacional e “chantagem econômica”

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que a atuação de Eduardo nos EUA constitui uma forma de chantagem econômica ao Estado brasileiro. Para ela, é inadmissível que um parlamentar eleito atue fora do país para tentar enfraquecer o governo democraticamente eleito. “É inaceitável que um deputado fuja do Brasil para conspirar contra sua própria nação. Essa prática ultrapassa todos os limites institucionais”, afirmou.

A dirigente ainda comparou o caso à tentativa de golpe frustrada em 2023, argumentando que a nova ofensiva tenta minar o Brasil por meios econômicos. “O que não conseguiram pela força, agora tentam por sabotagem financeira e diplomática”, declarou Coradi.

O PSOL vê no aumento tarifário anunciado por Trump um reflexo direto da atuação de Eduardo Bolsonaro junto a setores do Partido Republicano e da ultradireita americana. A legenda sustenta que o deputado tem usado sua influência para instigar retaliações contra o atual governo brasileiro, prejudicando a imagem e os interesses do país no exterior.

STF também é acionado por Erika Hilton

Paralelamente à ação protocolada na PGR, a deputada federal Erika Hilton, também do PSOL, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir medidas cautelares contra Eduardo Bolsonaro. Entre os pedidos estão o bloqueio de seus bens, contas bancárias e perfis em redes sociais.

Erika sustenta que Eduardo Bolsonaro cometeu crime de lesa-pátria ao, segundo ela, colaborar para decisões que ferem a soberania brasileira. “Ele está escondido nos Estados Unidos enquanto promove ataques à democracia nacional. E pior: com financiamento de recursos públicos e privados”, argumentou.

A parlamentar ainda defende que a atuação de Eduardo viola princípios de tratados internacionais firmados pelo Brasil e compromete as relações diplomáticas com outras nações. Ela exige, portanto, que o STF avalie com urgência as medidas propostas para impedir a continuidade das articulações internacionais do deputado.

Bolsonaro e o tarifaço

O centro das acusações gira em torno do recente anúncio do presidente norte-americano Donald Trump, que, em seu retorno à cena política, decidiu impor uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida gerou forte repercussão no Brasil e provocou reações de parlamentares, empresários e representantes do agronegócio.

Embora a motivação oficial do tarifaço não tenha sido divulgada em detalhes, lideranças de esquerda afirmam que a iniciativa teve influência direta de Eduardo Bolsonaro, que teria incentivado o endurecimento com o Brasil como forma de pressão política sobre o governo Lula.

A iniciativa do PSOL coloca mais um elemento de tensão no cenário político nacional, ao mesmo tempo em que reacende o debate sobre os limites da atuação internacional de parlamentares brasileiros.

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