A Prefeitura de Natal deu início a um amplo debate público para traçar o futuro da orla de Ponta Negra, o principal cartão-postal da capital potiguar. A primeira audiência, realizada na última sexta-feira, reuniu diversos segmentos da sociedade, desde técnicos e moradores até empresários e representantes de universidades, marcando o começo oficial do processo de reurbanização e revitalização da praia.
O secretário Arthur Dutra, coordenador do Grupo de Trabalho “Nova Ponta Negra”, enfatizou o caráter participativo da iniciativa. “Este é um momento de escuta real, um termômetro da cidade”, afirmou, destacando o compromisso da gestão em construir o projeto em conjunto com a população, através de críticas e sugestões. O processo culminará em um concurso nacional de arquitetura organizado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).
As diretrizes do projeto foram apresentadas durante a audiência, com foco na ampliação da área para pedestres, respeito à topografia local, criação de espaços verdes, uso de materiais sustentáveis e garantia de acessibilidade universal. A preservação da identidade cultural e paisagística de Ponta Negra, a promoção de áreas de lazer e a resiliência costeira diante dos impactos ambientais também são prioridades.
O debate revelou um consenso sobre a necessidade de mais áreas verdes, sombra e conforto térmico na orla. No entanto, divergências surgiram em relação à integração entre o turismo e a comunidade local. O empresário Jorge Gosson, do Natal Convention Bureau, defendeu o reflorestamento imediato da área, inspirando-se no modelo de Santos, conhecido por sua orla arborizada.
A vereadora Brisa Bracchi alertou para a importância de valorizar a pesca artesanal e a cultura popular da Vila de Ponta Negra no novo projeto. A marisqueira Rayane, do Conselho Comunitário da Vila, cobrou soluções para os problemas de drenagem causados por obras anteriores, exigindo um comitê gestor com poder de decisão e participação da comunidade. A divisão do projeto por trechos geográficos da praia também foi sugerida.
O arquiteto Luciano Barros, do IAB, detalhou a estrutura do concurso, ressaltando seu caráter democrático e técnico. “É a forma mais democrática e técnica de selecionar um projeto”, explicou, expressando a expectativa de uma ampla participação de escritórios de arquitetura e uma avaliação criteriosa por uma comissão julgadora. O objetivo é escolher a melhor proposta para a cidade.
No encerramento, o deputado Luiz Eduardo defendeu o equilíbrio entre preservação e desenvolvimento. “O turismo representa 35% do PIB potiguar e 70% dos empregos formais”, lembrou, defendendo um crescimento sustentável que harmonize economia e meio ambiente. Novas audiências públicas estão previstas antes do lançamento do edital, e todo o material está disponível no canal oficial da Prefeitura no YouTube.
Fonte: http://agorarn.com.br










