Levantamento mostra aprovação expressiva entre moradores de favelas e maioria favorável também em todo o país.
Uma Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta sexta-feira (31) aponta que a maioria da população apoia a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. O levantamento mostra que 87,6% dos moradores de favelas cariocas e 80,9% dos moradores de comunidades em todo o país aprovaram a ação, considerada a mais letal da história do Brasil, com 121 mortos.

A operação, batizada de “Contenção”, ocorreu na última terça-feira (28) e reuniu cerca de 2.500 agentes das Polícias Civil e Militar. O objetivo foi combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e cumprir mais de 100 mandados de prisão contra lideranças do tráfico, incluindo criminosos de outros estados.
Apoio majoritário nas comunidades
De acordo com a Pesquisa Atlas Intel, 87,6% dos moradores de favelas do Rio de Janeiro disseram aprovar a megaoperação, enquanto apenas 12,1% a desaprovaram e 0,3% não souberam ou não quiseram responder.
Em nível nacional, o apoio também é expressivo: 80,9% dos moradores de favelas em todo o Brasil se mostraram favoráveis à ação, contra 19,1% que a reprovaram. A tendência indica que, entre as comunidades diretamente afetadas pela violência do tráfico, há uma percepção majoritária de que a intervenção das forças de segurança é necessária.
População geral também apoia a ação
O levantamento mostra que o apoio à megaoperação se estende além das comunidades. Entre os cariocas em geral — incluindo moradores de dentro e fora das favelas —, 62% afirmaram aprovar a operação, enquanto 34,2% disseram desaprová-la e 3,6% não têm opinião formada.
Em todo o país, 55% dos brasileiros aprovaram a ação, contra 42,3% que a desaprovaram e 2,5% que não souberam responder. A pesquisa evidencia que, embora exista uma divisão de opiniões fora das comunidades, a maioria da população ainda apoia a iniciativa policial.
Percepção sobre o uso da força
A Pesquisa Atlas Intel também avaliou a percepção sobre o nível de violência empregado pelas forças de segurança. Para 62,3% dos cariocas e 52,5% dos brasileiros, o uso da força foi considerado adequado.
Entre os moradores de favelas do Rio, o índice de aprovação foi ainda maior: 89,5% classificaram a atuação policial como proporcional, enquanto 10,5% consideraram que houve excesso. Os dados reforçam que o público diretamente impactado pela operação tende a enxergar as ações de repressão como necessárias ao enfrentamento do crime organizado.
Operação mais letal da história
A megaoperação “Contenção” deixou 121 mortos, incluindo quatro agentes de segurança, e 113 pessoas presas. Entre os detidos estava Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como “Belão”, apontado como braço direito do líder do Comando Vermelho, “Doca”.
As forças policiais apreenderam 118 armas — 91 delas fuzis — e uma grande quantidade de munição. A ação superou o número de vítimas do Massacre do Carandiru, em 1992, tornando-se a operação mais letal já registrada no país.
O dia foi marcado por intensos confrontos, fechamento de escolas e interrupções no transporte público, principalmente na zona norte do Rio. Diante do impacto, o governo federal e o governo estadual anunciaram a criação de um escritório conjunto de combate ao crime organizado, voltado para integrar estratégias de segurança pública.
Apoio à continuidade das operações
A Pesquisa Atlas Intel também revelou que 62% dos cariocas e 55,9% dos brasileiros defendem a realização de novas operações semelhantes. Outros 35,3% dos brasileiros e 32% dos cariocas são contrários à ideia.
O resultado indica que, apesar da letalidade e das críticas de parte da sociedade civil e de organizações de direitos humanos, há um sentimento majoritário de que operações dessa natureza devem continuar.
Metodologia da pesquisa
O levantamento da Atlas Intel foi realizado de forma digital entre os dias 29 e 30 de outubro, com 1.089 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os dados mostram um cenário de apoio popular consistente às ações de segurança pública voltadas ao combate ao crime organizado, especialmente nas regiões mais vulneráveis da capital fluminense.










