Tarcísio descarta candidatura em 2026, mesmo se Bolsonaro insistir

Governador de SP reafirma compromisso com gestão estadual e rejeita disputar Presidência, ainda que pressionado por aliados e pelo ex-presidente

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), decidiu afastar de vez as especulações sobre sua possível participação na corrida presidencial ao dizer que descarta candidatura em 2026. Segundo relatos de aliados presentes em uma reunião privada em Lisboa, Tarcísio afirmou que não será candidato à Presidência da República em 2026 — mesmo que o próprio Jair Bolsonaro lhe peça diretamente.

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Foto: Mônica Andrade/Gov SP

A declaração enfática de Tarcísio vem após semanas de rumores e análises que apontavam seu nome como uma alternativa viável para a direita diante da inelegibilidade do ex-presidente Bolsonaro. Mas a palavra final do governador é clara: Tarcísio candidatura em 2026 não ocorrerá.

Especulações incomodam o governador

Tarcísio demonstrou incômodo com as interpretações de que seus discursos recentes, com tom nacional e propostas amplas, seriam uma preparação para lançar-se como presidenciável. Segundo pessoas próximas, o governador rejeitou essa leitura e classificou como “plantação de bastidores” os boatos de que teria discutido um projeto presidencial com interlocutores políticos.

Ele afirmou que tais boatos são fruto de interesses pessoais ou de articulações partidárias que não refletem sua posição real.

Foco no mandato e em entregas estaduais

O governador tem dito reiteradamente que seu compromisso é concluir integralmente seu mandato à frente do governo de São Paulo. Como militar de formação, Tarcísio reforçou a importância de cumprir o dever até o fim. Uma eventual renúncia em abril de 2026 — exigida por lei para quem deseja disputar outro cargo — é vista como um obstáculo à execução de projetos estratégicos, principalmente os que fazem parte de um possível segundo mandato.

Entre os compromissos prioritários estão obras de infraestrutura, expansão do Metrô, novas concessões de rodovias e a reestruturação do sistema de saúde no estado. Deixar o cargo antes da hora colocaria tudo isso em risco, segundo avaliação do próprio Tarcísio.

Bolsonaro ainda é a aposta

Mesmo com Bolsonaro inelegível, Tarcísio acredita que há chance de reversão do cenário. Ele confia em uma eventual movimentação institucional, com protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF), que leve à anulação da decisão que tornou Bolsonaro inelegível. Essa reabilitação política, segundo o governador, evitaria crises sociais e abriria caminho para o retorno do ex-presidente à disputa.

Essa visão também visa conter possíveis tensões entre o Congresso e o STF, como um eventual avanço de pautas que busquem o impeachment de ministros da Corte.

Disputa nacional fora do radar

Com a declaração em Lisboa, Tarcísio busca reforçar sua imagem como gestor técnico, concentrado nos assuntos do estado de São Paulo. Ao se afastar das disputas nacionais, ele tenta blindar sua administração de especulações políticas e manter a estabilidade de sua base de apoio, que inclui bolsonaristas e setores do centro político.

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