Moraes tenta conciliação sobre IOF e suspende atos do governo e do Congresso


Ministro do STF age para conter crise entre os Poderes e impõe freio duplo sobre impasse do IOF

O Ministro Alexandre de Moraes suspendeu temporariamente os efeitos dos decretos do Executivo que aumentaram o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e também da decisão do Congresso que havia derrubado a medida. A decisão, tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi anunciada na sexta-feira (4), como tentativa de evitar um agravamento da crise entre os Poderes. Além da suspensão, Moraes convocou uma audiência de conciliação marcada para o dia 15 de julho, envolvendo representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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A medida marca um momento raro na atuação do STF: a suspensão simultânea de atos do governo federal e do Congresso, com objetivo claro de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes. Moraes argumentou que há dúvidas fundadas sobre a validade de ambas as iniciativas — o decreto presidencial, por possível desvio de finalidade, e o legislativo, por ter anulado ato de competência exclusiva do Executivo.

Embate sobre o IOF acirra clima político

O decreto que elevava o IOF foi editado em junho pelo governo Lula, sob justificativa de aumentar a arrecadação e garantir espaço fiscal. No entanto, em 25 de junho, a Câmara dos Deputados derrubou a medida com 383 votos favoráveis à anulação. Horas depois, o Senado confirmou a decisão por votação simbólica, impondo uma derrota histórica ao Planalto.

Trata-se da primeira vez, em mais de três décadas, que o Congresso revoga um decreto presidencial. O último episódio semelhante ocorreu em 1992, durante o governo Collor, quando um decreto sobre precatórios foi derrubado meses antes do processo de impeachment.

Em resposta, o governo acionou o STF com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC), pedindo a validação do decreto. Paralelamente, o PSOL protocolou uma ação contra a decisão do Congresso, enquanto o PL, principal partido de oposição, contestou o aumento do imposto. Todas as ações ficaram sob relatoria de Moraes.

Suspensão dupla e busca por consenso

Ao anunciar que Moraes suspende os dois atos em conflito, o ministro ressaltou que o caminho institucional adequado é o diálogo. “A audiência de conciliação tem como objetivo pautar as relações entre os Poderes no binômio independência e harmonia”, escreveu.

Além da suspensão, Moraes deu prazo de cinco dias para que tanto o governo quanto o Congresso apresentem justificativas técnicas e políticas sobre suas decisões. A expectativa é que, na audiência do dia 15, haja um acordo que preserve prerrogativas constitucionais e evite novos confrontos.

Nos bastidores do Supremo, a leitura é de que a decisão busca conter a escalada de um conflito que ameaça se transformar em crise institucional, especialmente em um momento de pressão fiscal e fragilidade política do governo.

Estratégia e impactos

Ao agir como mediador, Alexandre de Moraes se posiciona como figura central na tentativa de restaurar o equilíbrio entre os Poderes. O gesto de suspender os dois lados — sem pender nem para Executivo, nem para Legislativo — é visto como estratégia para forçar um ambiente de negociação.

No entanto, a decisão também impõe um freio temporário à agenda econômica do governo, que contava com a elevação do IOF para gerar arrecadação extra. A suspensão do Congresso, por sua vez, é interpretada por parlamentares como alerta para que medidas similares sejam tratadas com mais articulação política.

O desfecho do episódio pode redefinir o papel do STF como árbitro de disputas institucionais, além de influenciar o modelo de governabilidade adotado por Lula em meio às dificuldades no Congresso.

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