Antigo aliado pede impeachment de Lula após frase sobre “governar via STF”


Otoni de Paula, que já defendeu cultos pela saúde do presidente, agora acusa Lula de atropelar o Congresso e cobra reação do PL

A relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e parte da bancada evangélica azedou de vez. Um dos parlamentares que mais ensaiou gestos de aproximação com o Planalto nos últimos meses, o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), rompeu publicamente com o petista nesta quarta-feira (2) e fez um pedido direto: o impeachment de Lula.

impeachment de Lula
Foto: Wilton Junior/Estadão

Durante discurso inflamado no plenário da Câmara dos Deputados, Otoni classificou como “escandalosa” a declaração recente do presidente, que afirmou, em entrevista, que não consegue governar o Brasil sem acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisões do Congresso Nacional. Para o deputado, a fala expõe um “ultraje institucional” e prova que Lula não respeita a independência entre os Poderes.

“A última declaração do presidente Lula é um escândalo. Dizer que não consegue governar sem o STF é um ultraje a este Parlamento”, afirmou Otoni, ao se dirigir ao presidente da sessão, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ).

“Lula governa por decreto, e agora quer governar por sentença”

Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e membro da Frente Parlamentar Evangélica, Otoni de Paula reforçou que o impeachment de Lula é necessário diante da postura que o chefe do Executivo vem adotando em relação ao Legislativo. Segundo ele, o Planalto perdeu apoio popular, está isolado no Congresso e tenta legislar de forma autoritária, driblando a vontade dos parlamentares por meio de decisões judiciais.

“Ele não tem base, não tem apoio popular e a economia está combalida. Todos os elementos para um processo de impeachment estão dados. Como disse minha colega Chris Tonietto, Lula governa por decreto e agora quer legislar por sentença. Isso é inadmissível”, declarou o deputado.

A fala de Lula que gerou a crise ocorreu durante entrevista à TV Bahia, na qual ele criticou a derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e disse que, sem o STF, não conseguiria mais exercer seu mandato com autonomia. A declaração foi considerada por muitos parlamentares como um sinal de desrespeito à harmonia entre os Poderes.

Ruptura simbólica: de culto à ruptura

A mudança de postura de Otoni é emblemática. Recentemente, o deputado chegou a dialogar com o ministro da AGU, Jorge Messias, para articular a realização de um culto em Brasília pedindo saúde para o presidente Lula, após um quadro de pneumonia. À época, o gesto foi visto como uma tentativa de aproximação do Palácio do Planalto com o segmento evangélico.

Agora, o tom é de ruptura total. Otoni não apenas rompeu com o governo, como também pediu ao PL — partido de Bolsonaro e maior bancada da Câmara — que lidere o movimento pelo impeachment de Lula.

“Eu faço um apelo ao PL: é hora de agir. Somos o maior partido do Brasil, e o país precisa de uma resposta à altura diante desse autoritarismo”, discursou.

Reação no Congresso e cenário para 2026

A fala de Otoni de Paula repercutiu entre parlamentares da oposição e da base. Deputados bolsonaristas aplaudiram o pronunciamento, enquanto aliados do governo tentaram minimizar a declaração de Lula, alegando que o presidente apenas reafirmou a necessidade de recorrer às instâncias legais diante de um Congresso que tem barrado pautas econômicas importantes para o equilíbrio fiscal.

O desgaste, no entanto, vem em um momento crítico para o governo, que já enfrenta dificuldades de articulação política. Pesquisas recentes apontam que mais da metade dos deputados federais considera a relação com Lula negativa, e boa parte vê baixa chance de avanço nas pautas do Executivo.

Além disso, a expectativa sobre 2026 pesa no ambiente político. Com Lula provável candidato à reeleição, adversários começam a traçar estratégias para desgastar sua imagem e atrair setores importantes do eleitorado, como o segmento evangélico, que foi majoritariamente bolsonarista em 2022 e se mostra refratário ao atual governo.

Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!


Veja também

Paraná organiza transporte gratuito para 113,6 mil estudantes no Enem

Mais de 113,6 mil estudantes da rede estadual do Paraná contarão com transporte gratuito organizado …

Meta nega favorecimento a Flávio Bolsonaro em 2026 ao TSE

Meta informou ao TSE que não favoreceu Flávio Bolsonaro na distribuição de conteúdo durante a …

Polícia prende dono de casa de repouso em Curitiba por maus-tratos a idosos

Polícia Civil do Paraná prende dono de casa de repouso em Curitiba após desrespeitar interdição …

Copel investe mais de R$ 400 mil na rede elétrica de Lunardelli

Copel investe R$ 400 mil em automação e controle da rede elétrica em Lunardelli, com …

Curitiba Folia promove micareta com 10 mil foliões na Pedreira Paulo Leminski

Curitiba Folia, em sua quinta edição, ocorre em 12 de dezembro na Pedreira Paulo Leminski, …

Morre Orlando Sálvaro, Papai Noel em Curitiba por mais de 20 anos

Orlando Sálvaro, conhecido por interpretar o Papai Noel em Curitiba por mais de 20 anos, …

Últimas Notícias

Paraná organiza transporte gratuito para 113,6 mil estudantes no Enem

Mais de 113,6 mil estudantes da rede estadual do Paraná contarão com transporte gratuito organizado…

Meta nega favorecimento a Flávio Bolsonaro em 2026 ao TSE

Meta informou ao TSE que não favoreceu Flávio Bolsonaro na distribuição de conteúdo durante a…

Polícia prende dono de casa de repouso em Curitiba por maus-tratos a idosos

Polícia Civil do Paraná prende dono de casa de repouso em Curitiba após desrespeitar interdição e…

Copel investe mais de R$ 400 mil na rede elétrica de Lunardelli

Copel investe R$ 400 mil em automação e controle da rede elétrica em Lunardelli, com instalação de…

Curitiba Folia promove micareta com 10 mil foliões na Pedreira Paulo Leminski

Curitiba Folia, em sua quinta edição, ocorre em 12 de dezembro na Pedreira Paulo Leminski, com…