Presidente aposta na polarização entre pobres e bilionários para reagir à derrota sobre o IOF e marcar posição para 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom nesta quarta-feira (2) ao participar das comemorações pela independência da Bahia. Durante o ato, Lula segurou um cartaz com os dizeres “taxação dos super ricos”, evidenciando sua estratégia de confrontar diretamente os setores mais abastados da sociedade. A imagem do presidente ao lado da primeira-dama Janja e do governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) foi publicada em suas redes sociais com a legenda: “Mais justiça tributária e menos desigualdade. É sobre isso.”

A taxação dos super ricos tem se consolidado como bandeira central do discurso lulista para os próximos meses, com claros objetivos eleitorais. Após uma série de derrotas no Congresso Nacional — incluindo a derrubada do decreto que elevava o IOF — o Planalto resolveu dobrar a aposta em uma narrativa que divide o país entre uma elite econômica resistente a impostos e a população que arca com o maior peso tributário.
Estratégia de polarização fiscal
A ofensiva do governo ganhou corpo com o lançamento da campanha “BBB — Bilionários, Bancos e Bets”. A proposta defende que esses três setores passem a pagar mais impostos, numa tentativa de aliviar a carga tributária da classe média e dos mais pobres. A ação foi impulsionada por vídeos feitos com Inteligência Artificial, disseminados pelas redes do PT e de parlamentares aliados.
A ideia, segundo lideranças do partido, é colocar no centro do debate político a taxação dos super ricos como símbolo de um país mais justo. Ao mesmo tempo, funciona como contraponto à impopularidade do governo em setores mais conservadores e ao desgaste gerado por medidas econômicas contestadas, como o próprio aumento do IOF.
Reação ao Congresso e crítica velada a “traições”
A exibição do cartaz ocorre dias após uma acirrada disputa entre Executivo e Legislativo. Em 25 de junho, o Congresso derrubou o decreto do governo que elevava o IOF sobre operações financeiras. A medida, segundo a equipe econômica, renderia R$ 10 bilhões em 2025, fundamentais para o equilíbrio fiscal.
Lula não escondeu a frustração e responsabilizou diretamente os parlamentares, acusando-os de cederem à pressão de “interesses das bets, das fintechs e dos bancos”. Em declaração recente, o petista disse que sem o apoio do STF não consegue mais governar. A AGU, inclusive, acionou o Supremo com uma Ação Declaratória de Constitucionalidade na tentativa de restaurar o decreto.
PT mobiliza base e aliados ecoam discurso
Membros do governo e aliados reforçaram o coro pela justiça fiscal. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, compartilharam a imagem de Lula com o cartaz. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) também endossou a campanha, apontando que “os bilionários precisam pagar sua parte”.
A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) foi mais direta ao atacar a Câmara. Em sua conta no X (antigo Twitter), classificou o Congresso como “inimigo do povo” por derrubar o decreto do IOF. “Era justiça tributária. Quem pode e deve pagar mais estava sendo onerado”, afirmou.
Hugo Motta reage: “polarização social não ajuda”
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), rebateu a estratégia do Planalto. Em vídeo publicado nas redes, afirmou que o governo está criando uma divisão artificial na sociedade. “Quem alimenta o nós contra eles, acaba governando contra todos. A polarização política já cansou muita gente, e agora tentam impor uma polarização social”, disse.
Motta, que vinha mantendo diálogo com o Executivo, agora se distancia. A ruptura acontece num momento em que a base governista no Congresso apresenta sinais de fragilidade, e a agenda econômica do governo enfrenta resistências crescentes.
Disputa antecipada por 2026
Com a aproximação do segundo semestre de 2025, Lula parece já traçar linhas de campanha para a eleição presidencial de 2026. A taxação dos super ricos pode se tornar um dos principais motes do discurso petista, com potencial de mobilizar sua base mais fiel e reacender o embate com a elite econômica, adversária histórica do PT.
Ainda que a estratégia envolva riscos — principalmente em termos de governabilidade — ela reflete a aposta do Planalto em uma mensagem direta e de forte apelo popular. A imagem do cartaz levantado por Lula é, portanto, mais do que simbólica: é um recado claro de que o presidente pretende levar essa batalha até o fim.
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