Lula lamenta atuação do Congresso e diz que só consegue governar com o STF


Após derrota no caso do IOF, presidente critica deputados e fala em “pressão de bets e bancos”; Supremo vira última esperança

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom ao falar sobre sua relação com o Legislativo, após a recente derrubada do decreto que aumentava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Lula desabafa sobre Congresso e afirma que, sem o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF), não consegue mais governar o Brasil. “Se eu não for à Suprema Corte, eu não governo mais o país”, declarou o petista à TV Bahia.

Lula desabafa sobre Congresso
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A fala escancarou o desconforto do presidente com o Congresso Nacional, que impôs uma dura derrota ao Palácio do Planalto ao sustar os efeitos do decreto que elevaria a arrecadação em até R$ 10 bilhões ainda neste ano. Para tentar reverter o revés, a Advocacia-Geral da União (AGU) protocolou uma Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) no STF, alegando que a medida do Executivo estava dentro dos parâmetros legais e constitucionais.

Lula critica Congresso e fala em “pressão de interesses financeiros”

Durante a entrevista, Lula foi direto ao atribuir a queda do decreto à influência de setores poderosos. “Houve pressão das bets, das fintechs, do sistema financeiro. Os interesses de poucos prevaleceram dentro da Câmara e do Senado, o que eu acho um absurdo”, afirmou.

A crítica atinge diretamente a articulação política no Congresso, que vinha sendo apontada como relativamente estável até então. O presidente fez questão de frisar que não tem rivalidade com os parlamentares, mas deixou claro seu incômodo com o que considerou uma quebra de acordo.

“Sou agradecido ao Congresso, que aprovou muitas coisas importantes para o país. Mas desta vez houve um erro grave”, disse o petista, lembrando de um compromisso firmado com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Quebra de acordo e mal-estar com o Legislativo

Segundo Lula, o Executivo havia chegado a um entendimento com os líderes do Congresso sobre a necessidade de ampliar a arrecadação via taxação do setor financeiro. Uma das alternativas, negociadas no último minuto, envolvia justamente aumentar a carga tributária sobre casas de apostas — as chamadas “bets” — e acabar com isenções sobre investimentos como LCIs e LCAs.

“O acordo foi fechado num domingo à meia-noite, na casa do presidente da Câmara. Estavam lá vários ministros e deputados. O Haddad e a equipe dele saíram de lá comemorando”, recordou Lula.

Apesar disso, o Congresso acabou votando contra o decreto, desautorizando publicamente o Executivo e provocando um mal-estar institucional. A resposta do presidente foi apelar ao Supremo, o que, segundo ele, se tornou uma ferramenta indispensável para manter o governo em funcionamento.

STF como última trincheira do governo

A estratégia de recorrer ao STF evidencia a crescente judicialização da política no Brasil e, ao mesmo tempo, expõe a fragilidade da articulação do governo com o Congresso. Lula critica Congresso por não respeitar acordos e, implicitamente, transfere ao Judiciário a missão de reverter uma decisão que ele considera injusta e lesiva ao equilíbrio fiscal.

“Cada macaco no seu galho. O Congresso legisla, eu governo. O que não pode é invadir competência do Executivo”, disse o presidente, ao defender a constitucionalidade do decreto que elevava o IOF.

No entendimento da AGU, o Congresso não poderia ter anulado o decreto, já que a Constituição dá ao presidente da República a prerrogativa de ajustar alíquotas do IOF dentro dos limites legais.

Reaproximação prometida com líderes do Congresso

Apesar do discurso firme, Lula sinalizou que buscará retomar o diálogo institucional. Após sua viagem à Argentina, onde participa da cúpula do Mercosul, o presidente disse que pretende se reunir com Hugo Motta e Davi Alcolumbre para “restabelecer a normalidade política”.

O Planalto aposta que a reaproximação é possível, mas sabe que o clima de desconfiança entre Executivo e Legislativo não deve desaparecer tão cedo. Especialmente diante de um cenário político onde o presidente depende de cada voto no Congresso para aprovar pautas importantes.

Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!


Veja também

Fernando Haddad critica empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro

Fernando Haddad atribui empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro a lavagem cerebral coletiva, e …

Jogos Escolares do Paraná reúnem quase 27 mil estudantes na fase regional

Quase 27 mil estudantes participam da primeira etapa regional dos Jogos Escolares do Paraná em …

Trump acusa Marinha dos EUA de agir como piratas ao apreender navios iranianos

Trump critica ação da Marinha dos EUA no estreito de Hormuz e destaca lucro obtido …

Emendas turbinadas influenciam voto secreto de senadores na indicação de Messias

Governo Lula empenhou R$ 2,3 bilhões em emendas turbinadas a senadores antes da derrota da …

Boneco de Bolsonaro provoca conflito em atos de 1º de maio no DF e SP

Atos do 1º de maio em Brasília e São Paulo tiveram confusões envolvendo boneco de …

Técnica de enfermagem denuncia agressão atribuída a Magno Malta em hospital

Técnica de enfermagem registrou boletim de ocorrência contra senador Magno Malta por suposta agressão durante …

Últimas Notícias

Fernando Haddad critica empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro

Fernando Haddad atribui empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro a lavagem cerebral coletiva, e…

Jogos Escolares do Paraná reúnem quase 27 mil estudantes na fase regional

Quase 27 mil estudantes participam da primeira etapa regional dos Jogos Escolares do Paraná em 14…

Trump acusa Marinha dos EUA de agir como piratas ao apreender navios iranianos

Trump critica ação da Marinha dos EUA no estreito de Hormuz e destaca lucro obtido com apreensão de…

Emendas turbinadas influenciam voto secreto de senadores na indicação de Messias

Governo Lula empenhou R$ 2,3 bilhões em emendas turbinadas a senadores antes da derrota da indicação…

Boneco de Bolsonaro provoca conflito em atos de 1º de maio no DF e SP

Atos do 1º de maio em Brasília e São Paulo tiveram confusões envolvendo boneco de Bolsonaro e…