A Operação Contenção, que resultou em pelo menos 64 mortes no Rio de Janeiro, desencadeou intensos debates sobre a violência policial e o crescente poder das facções criminosas, especialmente o Comando Vermelho, alvo principal da ação.
Especialistas em segurança pública e pesquisadores da área apontam falhas na operação, argumentando que ela não atingiu as estruturas do tráfico e expôs a população a riscos desnecessários. Eles alertam para os perigos de se repetir políticas de segurança baseadas em confrontos diretos e alto número de mortes, ao mesmo tempo em que reconhecem a demonstração de força do crime organizado.
Leandro Silva, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de São Paulo, enfatiza a necessidade de cautela e transparência por parte das autoridades. “Não pode ser nunca considerado uma situação próxima da normalidade uma operação em que 64 pessoas são mortas”, afirma, defendendo uma investigação rigorosa sobre o planejamento e a análise de riscos da operação.
Roberto Uchôa, ex-policial federal e doutorando da Universidade de Coimbra, corrobora a necessidade de envolvimento federal na questão, destacando a crescente sofisticação do Comando Vermelho, que agora utiliza drones para lançar granadas. “O Rio já mostrou que não tem capacidade de enfrentar isso sozinho… não é entrando na comunidade trocando tiros”, completa.
O Instituto Fogo Cruzado ressalta que a população carioca ficou exposta a riscos extremos durante a operação, que paralisou a cidade. A organização critica a incapacidade do governo estadual em implementar políticas de segurança eficazes e aponta para décadas de negligência tanto de governos estaduais quanto federais. A professora da UFF, Jacqueline Muniz, classifica a ação como “desastrosa e incompetente”, criticando o impacto na população e a ineficácia no combate às facções, que facilmente repõem suas perdas.
Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz, define a operação como uma “tragédia sob todos os enfoques”, sublinhando que ações de ocupação territorial não desestruturam o tráfico nem interrompem o fluxo de armas, resultando em vítimas inocentes e riscos para policiais. Segundo ela, operações como essa revelam a dimensão do poderio bélico do crime organizado no Rio de Janeiro e no Brasil.










