Operação "Terra Prometida" investiga esquema que teria fraudado concessão de terreno público
O vereador Danilo Dominico (Progressistas), de Guarapuava, na região central do Paraná, é um dos alvos de uma investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), que apura a cobrança indevida de R$ 30 mil por um imóvel de um programa habitacional gratuito. A suposta fraude teria ocorrido entre maio e agosto de 2024, quando Dominico era secretário municipal de Habitação e Urbanismo.

Além do vereador, são investigados dois ex-servidores da mesma secretaria, a esposa de um deles e um assessor parlamentar. Um dos ex-servidores hoje ocupa cargo comissionado no gabinete de Dominico.
Segundo o Gaeco, a vítima procurou a secretaria com interesse em adquirir um imóvel. Na ocasião, foi convencida a desistir da negociação inicial e a comprar a posse de um terreno no bairro Vila Bela, dentro de um programa habitacional municipal. Para isso, pagou R$ 30 mil, com a orientação de que o dinheiro deveria ser entregue à então beneficiária do programa, que pretendia vender a posse.
O Ministério Público, porém, descobriu que a vítima foi registrada como primeira beneficiária do terreno, recebendo o imóvel de forma gratuita, em vez da verdadeira contemplada, que já estava inscrita no programa desde 2023 e acabou prejudicada. O dinheiro pago pela vítima foi depositado na conta da esposa de um dos servidores envolvidos.
O Gaeco também afirma que, após o início das investigações, o vereador teria orientado um assessor de seu gabinete e um advogado a convencerem a vítima a não relatar o caso ao Ministério Público, numa tentativa de abafar o caso.
A operação que investiga esse esquema foi batizada de “Terra Prometida”. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (24), incluindo dois gabinetes na Câmara Municipal de Guarapuava.
Em nota, a Câmara informou que colaborou plenamente com a operação e garantiu acesso irrestrito às suas dependências. O Partido Progressistas, ao qual Dominico é filiado, disse que aguarda a conclusão das investigações para se posicionar.
Operação paralela apura vazamento de informações
No mesmo dia, o Gaeco deflagrou uma segunda ação, chamada de “Inconfidência”, que investiga o vazamento de informações sigilosas sobre investigações em andamento no próprio Gaeco e no Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria).
Foram cumpridos mais quatro mandados de busca e apreensão em Guarapuava. Entre os investigados estão um vereador, um policial militar e um ex-assessor da Prefeitura. O MP não confirmou se há conexão entre os alvos das duas operações.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, uma pessoa foi presa em flagrante por porte ilegal de arma, mas foi liberada após pagamento de fiança. As duas investigações tramitam em sigilo.
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