A Venezuela elevou a tensão regional ao anunciar, neste domingo, a captura de um grupo que o governo classifica como “mercenários” com ligações à Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos. O anúncio surge em um momento de crescente preocupação devido a exercícios militares conjuntos entre EUA e Trinidad e Tobago nas proximidades da costa venezuelana, descritos por Caracas como uma “provocação militar”. Detalhes sobre o número de detidos, suas identidades ou a data exata das prisões não foram imediatamente divulgados.
O pano de fundo para este anúncio é a chegada de um navio de guerra americano, o USS Gravely, a Trinidad e Tobago. Segundo o governo trinitário, a presença do navio tem como objetivo “reforçar a luta contra o crime transnacional e construir resiliência através de capacitação, atividades humanitárias e cooperação em segurança”. No entanto, o governo venezuelano alega que há um plano em curso para um “ataque de falsa bandeira” que justificaria uma ação militar contra o país.
Em resposta à crescente tensão, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva declarou ter oferecido a Donald Trump, em um encontro na Malásia, auxílio para mediar a relação entre os EUA e a Venezuela. Lula enfatizou a importância de manter a “América do Sul como zona de paz”. “Eu coloquei [para Trump] o tema da Venezuela. Disse que, pelo que eu leio na imprensa, a situação está se agravando e que é extremamente importante levar em conta que o Brasil pode ajudar na relação com a Venezuela”, afirmou.
A presença do navio americano divide opiniões em Trinidad e Tobago. Enquanto alguns residentes, como Lisa, de 52 anos, apoiam a presença americana por enxergá-la como uma ajuda no combate ao narcotráfico, outros manifestam preocupação com a possibilidade de uma intervenção na Venezuela. “Há uma boa razão pela qual trazem seu navio de guerra aqui. É para ajudar a limpar os problemas de drogas que existem no território [da Venezuela]”, disse Lisa.
Caracas, por sua vez, acusa a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, de comprometer a soberania do país e transformar seu território em uma base para operações militares dos EUA. A situação se agrava com relatos de bombardeios a supostas lanchas de narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, que, segundo a AFP, já deixaram 43 mortos, incluindo dois cidadãos de Trinidad e Tobago.










