A poucos dias das eleições que renovarão parte do Congresso argentino, o presidente Javier Milei adota uma postura desafiadora, prometendo transformar o país em meio a uma série de crises. Analistas políticos observam que, em vez de recuar, Milei parece acelerar em momentos de turbulência.
O presidente escolheu a cidade de Rosário para o encerramento oficial da campanha de seu partido, A Liberdade Avança. A escolha estratégica visa confrontar as pesquisas que indicam uma disputa acirrada com a força política local, liderada pelo governador Maximiliano Pullaro. Anteriormente, Milei já havia visitado Córdoba, onde enfrenta o ex-governador Juan Schiaretti.
O mês de outubro não foi fácil para Milei, após ficar 13 pontos atrás dos peronistas nas legislativas da província de Buenos Aires. O recebimento de dinheiro de um empresário investigado por narcotráfico nos Estados Unidos derrubou o principal candidato governista em Buenos Aires, e o país precisou recorrer ao Tesouro americano para evitar uma crise cambial.
Rosário, cidade com forte presença no discurso de Milei, também foi palco de manifestações. Militantes libertários entoavam cânticos contra o governador Pullaro, a quem chamavam de “ladrão” e integrante da “casta política”. Esse embate ocorre em um contexto de tentativas do governo de atrair o grupo de governadores de Pullaro para ampliar sua base no Congresso.
Embora Milei tenha vencido o peronista Sergio Massa em Santa Fé nas eleições presidenciais de 2023, pesquisas recentes apontam para um cenário desafiador nas legislativas. As consultorias In.fluencia e Innova indicam que o grupo do governador, Províncias Unidas, lidera as intenções de voto na província, relegando A Liberdade Avança ao terceiro lugar em cidades importantes como Rosário.
Em um esforço para acalmar seus apoiadores, Milei evitou comentar as recentes baixas em seu gabinete, incluindo as dos ministros Gerardo Werthein (Chanceler) e Mariano Cúneo Libarona (Justiça). Durante seu discurso em Rosário, o presidente buscou transmitir uma mensagem de esperança e resiliência.
“A Argentina está trilhando um caminho diferente, que é o caminho das ideias de liberdade”, afirmou Milei, buscando enfatizar a mudança de rumo que seu governo representa. Ele ainda acrescentou: “A casta não pode ver o governo dando certo que começa a destruir tudo, o povo argentino acordou e não aceita mais ser enganado pelos velhos políticos de sempre”, complementou.
Para evitar incidentes como o ocorrido em Lomas de Zamora, onde sua carreata foi alvo de protestos, o esquema de segurança em Rosário foi reforçado. A medida demonstra a tensão crescente em torno da figura de Milei e os desafios que ele enfrenta para manter o apoio popular em meio às crises que assolam o país.
Nem todos compartilham do otimismo de Milei. O motorista de ônibus Adolfo Singer expressou sua insatisfação: “Não gostamos mesmo dele aqui. Nunca vem ao interior, prefere passear nos Estados Unidos e ser chamado de morto de fome por Donald Trump. Agora, como estamos perto de outra eleição, ele lembra que a gente existe”.










