O interesse crescente dos brasileiros pela cidadania do Benin


Entenda o fenômeno que liga descendentes de escravizados à sua ancestralidade africana

O interesse crescente dos brasileiros pela cidadania do Benin
Clayton Muniz Filho no processo para obter cidadania do Benin.

Cidadania do Benin tem atraído brasileiros interessados em suas raízes africanas.

A busca por cidadania do Benin tem se intensificado entre brasileiros, especialmente aqueles com raízes africanas. Muitos, como Clayton Muniz Filho, enfrentam a dificuldade de traçar sua ancestralidade devido à falta de registros históricos. Clayton, neto de uma mulher negra da Bahia, fez um teste de DNA que revelou que 30% de sua origem é do Benin, país da África Ocidental que foi um dos principais focos do tráfico transatlântico de escravizados.

A lei de cidadania como reparação histórica

Em 2024, o governo do Benin anunciou a possibilidade de cidadania para afrodescendentes, interpretando isso como um gesto de reconciliação e reparação pelas injustiças do passado. A lei permite que qualquer pessoa com ascendência subsaariana, sem necessidade de comprovação específica de ligação com o Benin, solicite a cidadania por meio de uma plataforma digital. O custo do processo é de 100 dólares e pode ser concluído em três meses.

Desafios para a comprovação da ancestralidade

Apesar da iniciativa, muitos descendentes enfrentam barreiras significativas. A falta de documentação histórica, exacerbada por eventos como a queima de registros após a abolição da escravatura no Brasil, torna difícil a comprovação da ancestralidade. Muitos recorrem a testes de DNA, que têm custos em torno de R$ 300, para validar suas origens. O advogado Alessandro Vieira Braga menciona que o acesso a documentos é escasso, colocando os descendentes em uma posição desafiadora.

O impacto cultural e social

A busca por cidadania não é apenas prática, mas também filosófica, representando um movimento de reconexão com as raízes. A socióloga Alex Vargem afirma que o gesto do Benin toca em feridas abertas da história, incentivando um diálogo sobre identidade e pertencimento. O Brasil, tendo recebido aproximadamente 4,9 milhões de africanos escravizados entre os séculos 16 e 19, vive agora um momento de redescoberta de sua história e cultura.

Perspectivas futuras e laços comerciais

Além da cidadania, o governo beninense está investindo na modernização da Casa do Benin em Salvador, um espaço que busca estreitar laços culturais e comerciais entre os dois países. A possibilidade de uma nova rota aérea entre Salvador e Cotonou também está sendo discutida, o que poderia facilitar ainda mais essa reconexão. A aproximação entre Brasil e Benin simboliza não apenas uma busca por identidade, mas também uma oportunidade de fortalecer laços comerciais e culturais.

Notícia feita com informações do portal: g1.globo.com


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