A Polícia Federal (PF) desmantelou uma extensa organização criminosa que operava um esquema de fraude e grilagem de terras na Amazônia, visando a geração ilegal de créditos de carbono. A Operação Greenwashing, deflagrada em junho de 2024, resultou no indiciamento de 31 pessoas e expôs um rombo financeiro estimado em R$ 180 milhões, movimentados com a venda fraudulenta desses créditos.
A investigação, conduzida pela PF em Rondônia, culminou na elaboração de dois relatórios finais, que foram encaminhados à Justiça Federal. As provas foram coletadas por meio de quebras de sigilo telefônico, análise de documentos e computadores apreendidos durante buscas nas residências dos investigados. Os relatórios detalham a atuação de três núcleos criminosos, liderados por Ricardo Stoppe Júnior, Élcio Aparecido Moço e José Luiz Capelasso.
A PF apurou que o principal investigado, Ricardo Stoppe Júnior, se auto intitulava como “o maior vendedor de créditos de carbono globalmente”, marcando presença inclusive na COP28, a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. Segundo um dos relatórios, a organização criminosa chegou a expandir suas operações para 1 milhão de hectares dedicados a projetos de créditos de carbono, com o objetivo de alcançar 3 milhões de hectares.
A investigação revelou que a atuação dos criminosos envolvia a corrupção de servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) e de cartórios em cidades do Amazonas. A PF afirma que “Resta clara a existência de uma organização criminosa coesa, hierarquizada e com atribuições específicas a cada membro”.
Além da fraude na geração de créditos de carbono em áreas griladas, o esquema criminoso também envolvia fraudes no manejo de madeira, gado fantasma e desmatamento ilegal. Segundo a PF, do total de 1 milhão de hectares destinados a projetos de créditos de carbono, 537,9 mil hectares foram grilados, resultando em danos ambientais estimados em R$ 606,4 milhões. Os órgãos envolvidos, Incra e Ipaam, afirmam estar colaborando com as investigações.










