Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), foi preso em flagrante durante seu depoimento na CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na madrugada desta terça-feira. A prisão ocorreu após cerca de nove horas de interrogatório, mas Lopes foi liberado após o pagamento de fiança.
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, foi quem decretou a prisão, alegando falso testemunho por parte de Lopes. A ação se baseou no artigo 342 do Código Penal, que tipifica o crime de falso testemunho. Esta é a segunda prisão efetuada no âmbito da comissão, seguindo a de Rubens Oliveira, ligado ao caso “Careca do INSS” na semana anterior.
Durante a oitiva, Lopes, que depôs na condição de testemunha, foi advertido sobre sua obrigação legal de dizer a verdade. No entanto, segundo a CPMI, ele omitiu informações importantes, contradisse-se em diversos momentos e manteve as declarações inconsistentes mesmo após ser confrontado pelo relator e pelos membros da comissão.
“Essas contradições configuram mentira deliberada e ocultação de informações com o intuito de prejudicar as investigações dessa comissão”, justificou o senador Viana. Um dos pontos críticos foi a resposta de Lopes sobre o sócio da Santos Agroindustria Atacadista e Varejista, empresa que teria recebido R$ 800 milhões da Conafer.
O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), questionou Lopes sobre Cícero Marcelino, o sócio da empresa. Inicialmente, Lopes alegou não saber quem era Marcelino, que é apontado como operador financeiro da Conafer e teria recebido mais de R$ 100 milhões do INSS. Marcelino também é investigado por supostamente comprar veículos de alto valor com recursos da fraude.
Posteriormente, Lopes admitiu conhecer Marcelino, mas negou que ele fosse funcionário da Conafer. “Cícero sempre foi um fornecedor de bens e serviços da Conafer por mais de 15 anos… É o querido, é o amigo”, afirmou Lopes, minimizando a relação.
A Conafer é a segunda entidade associativa com maior volume de descontos nas mensalidades de aposentados, levantando suspeitas de irregularidades. Investigações da Polícia Federal indicam que esses descontos podem ter sido realizados ilegalmente, sem a devida autorização dos pensionistas, o que colocou a Conafer sob investigação.
Entre 2019 e 2024, a Conafer registrou um aumento expressivo nos descontos de aposentados e pensionistas do INSS, multiplicando-os por mais de 790 vezes, totalizando R$ 688 milhões. Além de sua posição na Conafer, Carlos Roberto Lopes é também sócio de uma empresa de melhoramento genético de gado e proprietário de um quiosque de artesanato indígena no Aeroporto de Brasília.










