O curta-metragem “Memória de um Sanatório Indígena: o que sobrou do esquecimento”, com direção de Irmânio Sarmento Magalhães, lança luz sobre um capítulo sombrio da história brasileira: a violência e o racismo sofridos por povos indígenas no extremo norte do país. Produzido com incentivos da Lei Paulo Gustavo, o documentário entrelaça entrevistas com indígenas e especialistas com pesquisas no acervo do Museu Nacional dos Povos Indígenas, no Rio de Janeiro, revelando a existência de um internato infantil feminino indígena e as mazelas promovidas por essa estrutura estatal.
A obra cinematográfica busca resgatar a memória e dar voz à luta indígena contra o preconceito e a negligência do Estado. “Trazer à tona a existência de um internato infantil feminino indígena e as mazelas que tal estrutura oficial promoveu é estabelecer novos marcos da luta indígena contra racismo e o preconceito estatal”, destaca o autor do artigo.
Filmado no estilo “cinema direto”, o documentário captura a realidade da Terra Indígena São Marcos, em Roraima, habitada pelos povos Macuxi, Taurepang e Wapichana. A equipe, com direção de fotografia refinada e paisagem sonora imersiva, constrói uma narrativa documental que busca a espontaneidade, lembrando o estilo de renomados documentaristas como Eduardo Coutinho.
O filme aborda temas como violência, mortes e traumas, revelando cemitérios que remetem a “espaços topofóbicos”, ou seja, paisagens do medo, onde atividades cotidianas são proibidas devido ao seu caráter sagrado e perigoso. Essa agressão ao território representa um dano espiritual e imaterial, passível de reparação, assim como no caso do acidente do Boeing 737 que afetou a terra indígena do povo Mebêngôkre-Kayapó.
“Memória de um sanatório indígena” busca, através de sua estética e narrativa, provocar no espectador a reflexão sobre a necessidade de justiça e o direito à memória. Ao revisitar o passado, o documentário constrói um argumento sobre as fases de um período tenebroso da história brasileira, erguendo-se como um “filme-tese” que exige atenção e reconhecimento.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










