Erosão costeira avança e ameaça praias na América Latina


Mudanças climáticas e ações humanas intensificam o problema

Erosão costeira avança e ameaça praias na América Latina
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Erosão costeira ameaça praias em toda a América Latina, com cidades como Atafona, no Rio de Janeiro, perdendo suas casas para o mar.

Na praia de Atafona, no estado do Rio de Janeiro, o mar engoliu mais de 500 casas. As imagens da cidade litorânea de Atafona são um aviso do perigo que espreita toda a América Latina. Parte da cidade foi engolida pelo mar – mais de 500 casas e um prédio foram perdidos, e moradores estão deixando para trás suas casas. Ao longo de toda a costa da América Latina, a força do oceano está avançando, deslocando limites conhecidos e varrendo infraestruturas, moradias, resorts e ecossistemas. Todos os países da região estão sofrendo algum grau de erosão nas praias.

Além das tempestades e furacões cada vez mais frequentes, associados às mudanças climáticas e ao aumento do nível do mar, há também a ação humana. “Estamos observando um aumento no número de casos de erosão na América Latina, ligados à má gestão da zona costeira, especialmente a construção de edifícios como portos ou áreas hoteleiras”, disse à DW Gustavo Barrantes, presidente da Rede Latino-Americana de Erosão Costeira (Relaec).

Impactos da erosão costeira

Segundo o especialista, esse fenômeno “interfere nos processos da dinâmica costeira, torna o ecossistema mais vulnerável e tudo isso junto aumenta as taxas de erosão que antes aconteciam como processos naturais. Também observamos um aumento nas ondas severas”. Há o fato de que muitas praias da América Latina estão em área de atividade tectônica – movimento das placas que formam a crosta terrestre. Os ciclones tropicais e furacões, comuns no Caribe e no Golfo do México, também dão a sua contribuição.

Barrantes observa que as taxas de erosão são de meio metro a um metro por ano, mas há áreas que ultrapassam três metros. Até mesmo áreas de recifes de corais ou praias em áreas protegidas estão sendo afetadas. “Não são apenas os terremotos, que vêm acompanhados de tsunamis e outros perigos concatenados, que alteram a costa chilena. O mesmo acontece com as trombas d’água, as ondas de calor, os eventos extremos de chuva e as inundações”, disse à DW Carolina Martínez, diretora do Centro de Observação Costeira da Universidade Católica no Chile.

Situação em diferentes países

“Na Argentina, a erosão, que era crítica no sudeste de Buenos Aires, está se espalhando para o norte e para o sul, e se tornando mais crítica. E o mesmo está acontecendo na América do Sul”, adverte Federico Isla, do Instituto de Geologia Costeira e Quaternária da Universidade Nacional de Mar del Plata, em entrevista à DW. De acordo com o pesquisador, as taxas de erosão estão se tornando cada vez mais críticas, de uma forma generalizada. “O Chile está tendo maremotos que não tinha antes. As tempestades do sudeste que afetam a Argentina e o Uruguai estão chegando ao sul do Brasil. Ao mesmo tempo, há uma erosão muito crítica em alguns departamentos da Colômbia e da Costa Rica.”

Necessidade de regulamentação

Atualmente, os países têm regulamentações insuficientes, dispersas e atrasadas sobre a zona costeira, diz Carolina Martínez. O Centro de Observação Costeira da Universidade Católica no Chile está pressionando por uma nova lei que incorpore instrumentos de planejamento do uso da terra, medidas preventivas e políticas públicas baseadas na experiência global e em evidências científicas. A diretora do centro explica que a legislação deve abordar a zona costeira em um sentido amplo, incluindo praias, campos de dunas e zonas úmidas, que são uma proteção natural contra o avanço da erosão. É fundamental regulamentar a extração de areia das praias e restringir a área para construção, assim como proteger os cursos d’água e a foz dos rios.

Especialistas são cautelosos em relação a medidas como quebra-mares e paredões, que podem interferir nas ondas e, portanto, na dinâmica da costa, na areia e até mesmo na pesca. “O ideal é não fazer obras de engenharia, que obstruem a deriva litorânea. O melhor é não permitir a ocupação de locais de risco e tomar medidas mais condizentes com a natureza”, diz Isla.

Notícia feita com informações do portal: g1.globo.com


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