Filósofa expressa preocupações sobre o futuro político do Brasil

Em entrevista, Marilena Chaui discute o papel da classe média e reflete sobre a fragmentação da esquerda no Brasil.
Na última semana de setembro de 2025, em São Paulo, a filósofa Marilena Chaui, 84, reafirmou, em entrevista, seu ódio à classe média, argumentando que ela oprime os dominados e bajula os dominantes. Chaui expressou preocupação com a fragmentação da esquerda em meio a movimentos identitários e criticou a cultura do cancelamento, que considera um “assassinato socialmente aceito”.
A crítica à classe média
“Eu odeio a classe média até o fim dos meus dias”, declarou Chaui, que lançou o livro “Filosofia, um Modo de Vida”. Para ela, a classe média é responsável por perpetuar a opressão e a desigualdade no Brasil. A filósofa acredita que a autoimagem do povo brasileiro como generoso esconde a violência racista, machista e de classe que permeia a sociedade.
Fragmentação da esquerda
Chaui alertou que a fragmentação da esquerda pode torná-la vulnerável à extrema direita. “Na fragmentação, você não consegue formar uma totalidade política”, disse, ressaltando a importância de uma união entre os movimentos sociais. Ela também criticou o neoliberalismo, que, segundo ela, fragmenta a classe trabalhadora e fortalece a direita.
O futuro e o mundo digital
A filósofa mostrou resistência ao mundo digital, afirmando que não quer entrar no século 21 e descrevendo o celular como uma alegoria contemporânea da caverna de Platão. Chaui se preocupa com a dependência que as novas gerações têm da tecnologia e com o empobrecimento da linguagem e da criatividade que isso provoca.
Em suma, Marilena Chaui se posiciona como uma crítica feroz da classe média e do neoliberalismo, destacando os desafios que a esquerda enfrenta em um Brasil em transformação.










