Empresa ligada a bicheiros recebe autorização para operar no estado

Governo do RJ credencia empresa com vínculos familiares a bicheiros para operar máquinas de apostas, gerando controvérsia na administração pública.
Uma nova autorização do governo do Rio de Janeiro, em 2 de outubro de 2023, para o credenciamento de máquinas de apostas na Too All Games, que tem sócios ligados a bicheiros, gera controvérsias na administração pública. A empresa, que possui um capital social de R$ 7 milhões, é associada a Fernando Andrade, sobrinho do bicheiro Castor de Andrade, e Ailton Guimarães, filho do Capitão Guimarães. Ambos têm histórico de envolvimento em atividades relacionadas ao jogo do bicho.
Contexto do credenciamento
O credenciamento para operar máquinas de apostas foi regulamentado por um decreto assinado por Cláudio Castro. O Ministério Público já havia apontado em 2006 que Fernando Andrade tinha vínculos com a exploração de jogos ilegais em Angra dos Reis, enquanto Ailton Guimarães foi mencionado em investigações sobre bingos clandestinos. Apesar desse histórico, nenhum deles possui processos criminais em aberto atualmente.
Detalhes da operação
A Too All Games solicitou autorização para instalar 105 máquinas no Jockey Club Brasileiro, que possui um salão de apostas e áreas para clientes VIP. A empresa apresenta um plano de negócios que prevê 630 mil apostadores potenciais em 28 municípios do estado e um investimento de R$ 108,9 milhões. As receitas estimadas podem alcançar R$ 715,69 milhões em cinco anos, com os VLTs representando 44,11% desse total.
Reações da administração pública
O prefeito Eduardo Paes se posicionou contra a autorização e afirmou que pretende suspender alvarás dos estabelecimentos que implementarem esse sistema. A Prefeitura do Rio, que já havia concedido um alvará à Too All Games, teve que suspender o procedimento devido a pressões internas.
A Loterj, responsável pelo credenciamento, garantiu que a fiscalização será contínua e que os recursos gerados pelas máquinas serão destinados a projetos sociais. No entanto, a falta de transparência sobre quantas empresas estão credenciadas e a documentação envolvida no processo geram dúvidas sobre a legitimidade da operação.
Notícia feita com informações do portal: redir.folha.com.br










