A angústia da família de Clélio Machado, 77 anos, se prolonga por três meses. Desde um acidente na BR-262, em Miranda, no dia 28 de junho, o corpo carbonizado permanece no Instituto Médico Legal (IML) de Aquidauana sem identificação formal. O acidente envolveu três veículos: um Virtus, uma Parati e uma carreta, marcando o início de uma dolorosa espera por respostas e um sepultamento digno.
Diante da morosidade, o advogado da família busca na justiça um alvará para liberar o corpo, emitir o atestado de óbito e realizar o sepultamento, além de pleitear indenização por danos morais. O processo destaca a dificuldade na identificação devido ao estado do corpo, que necessita de “um trabalho mais aguçado, com maior precisão no levantamento de identificação do material”, conforme trecho do documento.
A família também questiona a atuação do poder público, exigindo uma indenização de R$ 53.130 por “flagrante falta de empatia, compromisso e responsabilidade com a causa pública”. Uma fonte familiar, sob anonimato, revelou a necessidade de exame de DNA para confirmar a identidade, corroborada pela informação de que o veículo envolvido no acidente está registrado em nome de Clélio Machado.
“Eles disseram que estão sem material. Esse material vem de São Paulo para fazer a comparação. É um descaso. O corpo foi praticamente todo queimado. Restou apenas parte do tronco e de um osso. Nesse caso, é só por DNA”, lamentou o familiar, evidenciando o desespero diante da demora na liberação do corpo.
A situação se agrava com o recente acidente aéreo, ocorrido nesta quarta-feira (24), que resultou em quatro mortes. As vítimas, também carbonizadas, foram encaminhadas ao IML de Aquidauana, aumentando a pressão sobre a equipe e prolongando a incerteza sobre o prazo para a liberação do corpo de Clélio Machado. O Campo Grande News aguarda um posicionamento do IML sobre o caso.
No dia do acidente, Johnny da Silva Costa, 35 anos, passageiro do Virtus, relatou ao Diário Corumbaense que o carro onde viajava reduziu a velocidade ao se aproximar de uma carreta parada na pista sem sinalização. Uma Parati, em alta velocidade, tentou desviar de outro veículo, perdeu o controle e colidiu com a carreta, culminando na colisão com o Virtus, segundo o relato.










