Milhares de pessoas foram às ruas de Brasília neste domingo (21) para expressar sua indignação contra propostas legislativas que visam anistiar envolvidos em atos golpistas e blindar parlamentares de processos judiciais. A manifestação, que ocupou a Esplanada dos Ministérios, reuniu cidadãos de diversas partes do país, unidos em defesa da democracia e da justiça.
Sob o sol forte da capital federal, os manifestantes marcharam por cerca de 1,5 quilômetros, guiados por um trio elétrico e embalados por discursos inflamados de lideranças políticas locais. O ponto final do protesto foi em frente ao Congresso Nacional, onde o cantor Chico César encerrou o ato com um show que celebrou a resistência e a luta por um Brasil mais justo.
Com cartazes e palavras de ordem como “Congresso Inimigo do Povo” e “Sem Anistia”, os manifestantes criticaram duramente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apelidada de “PEC da Bandidagem”, que exige aprovação prévia das casas legislativas para abertura de processos contra parlamentares. A proposta é vista como uma tentativa de blindar políticos e impedir que sejam responsabilizados por seus atos.
A indignação era palpável entre os participantes. Keyla Soares, bancária de 42 anos, expressou sua revolta com a PEC: “É uma sem vergonhice. É ofensiva essa PEC. Eles só trabalham em defesa deles mesmos. O Brasil tem que se unir contra isso. Estamos lutando também pela democracia”, comentou.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), foi um dos principais alvos dos protestos, acusado de pautar a PEC e a anistia na programação da última semana. Cartazes o chamavam de “Motta Capacho” e associavam o Centrão à corrupção. Sara Santos, estudante de 26 anos, também criticou o PL da anistia, afirmando: “Depois de tudo que a gente viveu com a ditadura militar, não podemos aceitar anistia contra quem atacou a democracia e tentou dar um golpe de Estado”.
Além de Brasília, atos semelhantes ocorreram em ao menos 33 cidades, incluindo todas as capitais do país, demonstrando a abrangência da mobilização contra a anistia e a PEC da Blindagem. As manifestações foram convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, com apoio de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais como MST e MTST, além de partidos de esquerda e centro-esquerda.










