Sob o sol de Campo Grande, a 2ª Caminhada Passos pela Vida coloriu o Parque dos Poderes neste domingo (21), reunindo vozes em prol da doação de órgãos. Familiares de pacientes, profissionais da saúde e representantes de entidades ligadas aos transplantes uniram forças em um ato que integra a campanha Setembro Verde, buscando despertar a consciência da população sobre a importância de discutir a doação de órgãos e tecidos em vida.
O evento lança luz sobre um desafio persistente: a dificuldade em sensibilizar as famílias sobre o potencial de transformar a perda em esperança. “A maior dificuldade é as pessoas entenderem que, depois que um ente querido falece, ele pode salvar até oito vidas”, declarou a enfermeira Janaína Reis, do Hospital Adventista do Pênfigo, enfatizando a necessidade de ampliar a aceitação dessa decisão crucial em Mato Grosso do Sul.
Marielly Vilela, vice-presidente da Fratelo Transplantes, reforça que a desinformação ainda é a barreira mais significativa. “Apesar de estarmos entre os estados que mais doam, ainda temos uma taxa de recusa muito grande. Poderíamos ter números muito melhores se houvesse mais conhecimento”, alertou, sublinhando a urgência de disseminar informações claras e precisas sobre o processo de doação.
Contudo, os esforços de conscientização já mostram resultados promissores. Mato Grosso do Sul se destaca nacionalmente, ocupando a quarta posição em transplantes hepáticos em relação ao número de habitantes. “É uma vitória para o Estado, mas precisamos ampliar para outros tipos de transplantes, como o renal”, salientou Marielly, evidenciando a importância de expandir o alcance das campanhas.
Para Luiz Fernando Elias, diretor do Hospital Proncor Santa Marina, a caminhada é um importante ato simbólico. “A caminhada é um ato simbólico, mas conscientiza sobre o que significa doar órgãos. Precisamos educar porque falta muita informação, e isso pode salvar muitas vidas”, ressaltou a importância de informar a sociedade para salvar mais vidas.
Nesse sentido, o médico Bruno Alexandre da Silva, diretor de outra unidade, enfatizou a importância de registrar a decisão em vida. Hoje, essa manifestação de vontade pode ser formalizada de maneira simples e segura através da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO) ou pelo e-Notariado, garantindo que o desejo do doador seja conhecido e respeitado no momento oportuno.










