Manifestantes tomaram as ruas de Campo Grande neste domingo (21) para expressar sua indignação contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem e a proposta de anistia a condenados por tentativa de golpe de Estado. O protesto, que bloqueou o cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, faz parte de uma mobilização nacional que se estendeu por 22 capitais e pelo menos 30 cidades em todo o país. Inicialmente modesto, o ato ganhou força ao longo da manhã, reunindo cerca de 150 pessoas.
Faixas e cartazes com mensagens como “Congresso inimigo do povo” e “Sem anistia” pontuaram a manifestação, que também exibiu uma grande bandeira com a palavra “democracia”. Grupos como União da Juventude Rebelião, PCR (Partido Comunista Revolucionário) e UP (Unidade Popular pelo Socialismo) marcaram presença, assim como militantes ostentando camisetas com a frase “Viva a imprensa popular!”. O som de fogos de artifício e buzinaços de apoiadores embalou o protesto.
A empresária Dedé Cesco, presente no ato, traçou um paralelo entre a luta atual e a resistência contra a ditadura militar. “Eu lutei contra a ditadura e não acreditava que tão cedo ia ter que estar na rua de novo”, declarou, classificando a aprovação da PEC como um ataque à democracia. Segundo ela, a pressão popular é crucial: “O povo na rua é muito importante porque os políticos se sentem pressionados. Alguns que votaram pela PEC já vieram a público pedir desculpas”.
Rebeca Ferreira de Souza Borges, de 27 anos, criticou a criação de privilégios que a PEC, segundo ela, promove. “Quando a gente fala de crimes, independente de cargo, eles têm que ser punidos da mesma maneira que nós. O código penal é claro”, argumentou. Sobre a possível anistia, Rebeca avalia que a medida representaria um retrocesso, transmitindo a mensagem de impunidade para quem atenta contra a democracia. Um engenheiro da computação, que preferiu não se identificar, reforçou a crítica, afirmando que a PEC protege criminosos e que a classe trabalhadora não está sendo representada.
Luso de Queiroz, ex-candidato a prefeito de Campo Grande e filiado ao PT, também se manifestou contra a proposta, alertando para a criação de uma “casta de aristocratas”. Para ele, a PEC “vai totalmente contra os princípios da República”, tratando o povo de forma inferior. A nível nacional, os protestos foram organizados por centrais sindicais, movimentos populares e organizações da sociedade civil. Eles se opõem à PEC da Blindagem, já aprovada na Câmara, que exige autorização da maioria absoluta do Senado ou da Câmara para abertura de ações penais contra parlamentares. Além de Campo Grande, atos também foram realizados em Corumbá e Dourados, em Mato Grosso do Sul.










