A paixão nacional pelo futebol, que une multidões e embeleza as cidades, esconde uma realidade alarmante: o aumento da violência contra a mulher em dias de jogos. Um estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou um crescimento de 20,8% nos registros de lesão corporal dolosa e de 23,7% nas ameaças contra mulheres em períodos de partidas de futebol.
A pesquisa, realizada em 2022 em capitais com times na Série A, como Rio de Janeiro e São Paulo, lança luz sobre uma face sombria do esporte. No Pará, embora não haja um estudo específico, indícios apontam para uma tendência semelhante, conforme relatos do Núcleo de Proteção à Mulher do Ministério Público do Estado (MPPA).
“Esses indícios sugerem que a realidade local pode guardar semelhança com a de outras capitais”, afirma a promotora de Justiça Renata Cardoso, coordenadora do Núcleo Mulher/MPPA. No entanto, a subnotificação, motivada por medo, vergonha ou naturalização da violência, dificulta a comprovação.
O levantamento nacional aponta que a maioria dos agressores são conhecidos das vítimas, sugerindo uma forte ligação com a violência doméstica. “Isso revela que o problema não está no futebol em si, mas na forma como parte dos homens reage à frustração, à derrota e às tensões emocionais provocadas pelos resultados”, explica Cardoso.
Em Belém, a Polícia Civil realiza ações preventivas em dias de jogos no Mangueirão. A delegada Emanuela Amorim, da Diretoria de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAV), destaca que, embora não haja dados estatísticos que confirmem o aumento de ocorrências, casos de agressões físicas e importunação sexual são registrados.
A violência contra a mulher no contexto do futebol vai além da agressão física, abrangendo também a violência simbólica e psicológica. “Não podemos afirmar que o futebol seja a causa direta da violência contra as mulheres, mas sim um espaço que torna mais visíveis e agudos comportamentos violentos já presentes em nossa cultura”, ressalta a promotora Renata Cardoso.
O MPPA, em parceria com a Federação Paraense de Futebol (FPF) e clubes como Remo e Paysandu, tem promovido ações de conscientização e buscando soluções para combater a violência de gênero. O objetivo é desconstruir a cultura de rivalidade e machismo que potencializa práticas agressivas contra as mulheres.
Fonte: http://www.oliberal.com










