Setor enfrenta dificuldades com queda de produção e aumento de custos

Exportadores de mel criticam a demora do governo federal em apoiá-los após tarifa de 50% dos EUA. Setor pede linhas de crédito específicas para manter vendas.
Exportadores de mel criticaram a demora do governo federal em apoiá-los após o governo dos Estados Unidos, país que mais importa a mercadoria, aplicar tarifa de 50% a produtos brasileiros desde 6 de agosto. O setor reivindica, principalmente, linhas de crédito específicas que ajudem a manter o fluxo de vendas. “A questão tem sido essa, a demora da chegada da linha de crédito”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo.
Situação atual do setor de exportação de mel
O Grupo Sama, do Piauí, que é o maior produtor de mel orgânico do Brasil e da América do Sul, afirmou que, mais de um mês após o início da tarifa, a situação piorou, com alta nos custos e perda de poder de negociação com clientes. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que o plano Brasil Soberano lançou linhas de crédito de R$ 40 bilhões, com juros baixos, para empresas afetadas pela tarifa imposta pelo governo Trump. No entanto, a restituição de créditos tributários prometida pelo governo ainda não avançou, dependendo da aprovação do Congresso Nacional.
Desafios enfrentados pelos exportadores
O presidente da Abemel destacou que o setor enfrenta três tipos de desafios: de curto, médio e longo prazo. Inicialmente, a preocupação é honrar os compromissos com os apicultores devido à parada das novas contratações de exportação. A médio prazo, Renato Azevedo acredita que deveria haver um incentivo para aumento do consumo de mel no mercado interno. Ele ressaltou que o Brasil tem uma média de consumo per capita anual próximo das 170g, enquanto países como EUA superam as 400g.
Propostas para o futuro do setor
Renato Azevedo defende um projeto para adicionar valor agregado ao mel brasileiro. Ele exemplifica com a Nova Zelândia, que exporta o Mel de Manuka a cerca de US$ 25 mil a tonelada, enquanto o Brasil exporta a 3,5 mil. Azevedo reconhece que o governo foi pego de surpresa com o tarifaço, mas acredita que é necessário pensar em soluções a longo prazo. “Isso [a demora da chegada da linha de crédito] era até relativamente esperado, dada a urgência e rapidez com que o governo teve que agir”, concluiu.
Considerações finais
A situação do setor de mel é preocupante, com desafios que vão além da questão da tarifa. A busca por soluções de crédito e incentivos ao consumo interno será crucial para garantir a sustentabilidade dos exportadores de mel brasileiros.










