Um levantamento recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revela um cenário preocupante no sistema de adoção brasileiro. Embora 3.140 crianças e adolescentes tenham encontrado um lar em 2025, a distribuição por faixa etária e condição física expõe disparidades gritantes e urgentes. A esmagadora maioria das famílias demonstra preferência por bebês, deixando adolescentes e crianças com deficiência em uma situação de vulnerabilidade ainda maior.
Os números detalham essa dura realidade. Enquanto 1.401 crianças com até dois anos foram adotadas, apenas seis adolescentes acima de 16 anos tiveram a mesma oportunidade. Atualmente, o Brasil possui 5.506 crianças e adolescentes aptos à adoção, sendo que 1.839 deles têm mais de 14 anos. Em 2024, apenas 101 jovens nessa faixa etária conseguiram encontrar um lar, evidenciando a dificuldade enfrentada por este grupo.
O abismo se aprofunda quando se trata de crianças com deficiência. Apenas uma pequena fração das famílias pretendentes demonstra interesse em adotar crianças com deficiência física (3,4%) ou intelectual (1,4%). Essa falta de aceitação agrava ainda mais a situação dessas crianças, que enfrentam barreiras adicionais para encontrar um lar amoroso e acolhedor.
Diante desse panorama, especialistas ressaltam a importância de campanhas de conscientização e programas de apoio que incentivem a adoção de crianças mais velhas e com deficiência. É fundamental desmistificar preconceitos e promover a inclusão, garantindo que todas as crianças tenham a oportunidade de crescer em um ambiente familiar seguro e estável. A mudança cultural e a sensibilização da sociedade são passos cruciais para reverter essa triste realidade.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










