Desafios crescentes à véspera das eleições legislativas

O governo Javier Milei enfrenta uma série de desafios econômicos e políticos na Argentina, aumentando a cautela entre investidores.
A Argentina atravessa um momento decisivo às vésperas das eleições legislativas de 26 de outubro. O governo Javier Milei enfrenta pressão cambial, sinais de recessão e perda de apoio político, um conjunto de fatores que aumenta a cautela entre investidores – e faz analistas pregarem posições mais defensivas temendo o fim do chamado “efeito Milei”, que no começo do governo fez os ativos do país dispararem.
Cenário tenso para a economia argentina
Após um ano de perdas avassaladoras na Bolsa, o assunto da vez é o câmbio. Para o Bradesco BBI, a recente intervenção do Banco Central argentino (BCRA), que vendeu US$ 53 milhões em reservas depois de o dólar oficial no mercado atacadista superar o teto da banda cambial, a 1.474,5 pesos, é um alerta sobre a fragilidade do regime. A lista de ações de setores promissores da Bolsa mostra que a confiança está abalada.
Desafios políticos e sua influência econômica
O JPMorgan avalia que a economia argentina já caminha para uma recessão técnica. O PIB do segundo trimestre recuou em relação ao trimestre anterior, eliminando parte do avanço de 3,5% anualizado no primeiro trimestre. A turbulência política aumentou após a derrota nas eleições da Província de Buenos Aires, com riscos políticos em alta e a incerteza persistindo até outubro.
Dificuldades no cenário interno
O Itaú BBA também destaca sinais de enfraquecimento da atividade. Apesar do crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior, o PIB caiu 0,1% na comparação trimestral, refletindo queda de 1,1% no consumo privado e de 0,5% nos investimentos fixos. A confiança do consumidor caiu 13,9% de julho para agosto, refletindo uma piora nas perspectivas macroeconômicas e menor disposição para comprar bens duráveis e imóveis.
O futuro incerto de Milei
A dimensão política adiciona outro elemento de instabilidade. Ao anunciar o orçamento de 2026, Milei prometeu ampliar gastos em aposentadorias, saúde e educação, setores duramente afetados pela austeridade. Para o JPMorgan, “o governo fez concessões fiscais claras, mas continua incapaz de recuperar o controle sobre o Congresso.”
A avaliação entre os bancos é de que a Argentina atravessa semanas críticas. O Bradesco BBI afirma que ainda falta uma luz no fim do túnel para justificar maior exposição a ativos locais. O JPMorgan alerta que, passada a eleição de outubro, será essencial reconstruir o estoque de reservas internacionais, já que a tendência até lá é de erosão contínua.
Notícia feita com informações do portal: www.infomoney.com.br










