O recente aumento das tarifas de importação pelos Estados Unidos, o chamado “tarifaço”, soou o alarme para a indústria brasileira. A medida impacta diretamente as exportações e escancara a necessidade urgente de uma estratégia nacional para garantir a competitividade do Brasil no mercado global.
O país precisa adotar uma postura proativa para reduzir vulnerabilidades, conquistar novos mercados e fortalecer sua base produtiva. A realidade é que, enquanto a concorrência avança, o Brasil ainda enfrenta altos custos de capital e outros obstáculos que dificultam a expansão dos produtos brasileiros no exterior.
“Se o Brasil não reagir, será apenas um comprador do mundo, abrindo mão de empregos, tecnologia e desenvolvimento industrial”, alerta Gino Paulucci Jr., presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ. Para prosperar, é crucial combinar medidas de promoção comercial, inovação e modernização produtiva com o combate aos altos custos e à concorrência desleal.
O setor de máquinas e equipamentos é um exemplo claro dessa urgência. Nas últimas décadas, a participação de produtos importados aumentou significativamente no mercado interno, enquanto as exportações brasileiras se mantiveram em níveis baixos. Essa situação demonstra que medidas isoladas não são suficientes.
É preciso uma política pública estratégica de longo prazo, que integre a política macroeconômica, industrial e comercial, visando o desenvolvimento econômico sustentável. Modernizar os processos produtivos e promover as exportações devem ser prioridades em um projeto nacional de desenvolvimento.
A indústria de transformação brasileira precisa buscar sua própria competitividade, investindo em inovação, pesquisa e desenvolvimento, e na adoção de tecnologias de ponta, como a Indústria 4.0. A modernização do parque fabril e a qualificação da mão de obra são essenciais para aumentar a produtividade e superar gargalos como a burocracia excessiva, o alto custo do capital e a infraestrutura deficiente.
O momento exige uma ação coordenada e estratégica. O governo já deu um passo importante com o Novo Indústria Brasil (NIB), que fomenta a inovação e a digitalização. No entanto, é preciso intensificar os esforços para restabelecer o papel fundamental da indústria brasileira na economia.
O setor privado, o governo e o Congresso precisam trabalhar juntos para criar condições reais de competitividade e recuperar o protagonismo industrial do Brasil. O objetivo é transformar essa crise em uma oportunidade, impulsionando o fluxo de comércio e fortalecendo a indústria nacional.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










