PT questiona decisão após protesto durante evento

Polêmica em São Paulo após a demissão de um funcionário que protestou contra o governador Tarcísio de Freitas.
O deputado estadual Paulo Fiorilo (PT) protocolou pedidos de informação ao governo de São Paulo questionando a demissão de um funcionário de uma consultoria que presta serviços à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), estatal da gestão estadual, após o profissional gritar “sem anistia” ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
De acordo com o economista Ivan Paixão, de 40 anos, ele foi desligado de um projeto de consultoria prestado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) à CDHU três dias depois de ter feito a manifestação, enquanto Tarcísio seguia a pé com sua comitiva para a sede da Bolsa de Valores (B3), no centro da capital, na manhã do dia 5 de setembro, quando seria realizado o leilão do lote Paranapanema de rodovias.
Ivan relata que estava tomando café com uma colega de trabalho em um restaurante próximo do prédio da CDHU, quando viu o governador passando pela rua rodeado de seguranças. Ele e sua colega não estavam uniformizados e não portavam crachá identificando que trabalhavam na CDHU. O economista afirma ter gritado duas vezes “sem anistia”, em protesto à articulação que Tarcísio vinha empenhando naquela semana para fazer avançar um projeto de lei que concede perdão aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, que beneficiaria também o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), padrinho político do governador.
Reação da gestão e os desdobramentos
A semana também era marcada pelo início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Bolsonaro e outros sete réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista. Na segunda-feira (8/9), Ivan foi comunicado sobre o desligamento, sob a justificativa de que a ordem vinha direto da presidência da CDHU. Após a veiculação da notícia, o gabinete do deputado Paulo Fiorilo protocolou um ofício com pedido de informações sobre a demissão para a estatal e outro requerimento de informação diretamente à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, pasta à qual a CDHU é vinculada.
“A administração pública tem que dar o exemplo de impessoalidade e respeito às normas constitucionais. Não é tolerável que a manifestação pacífica de posições políticas divergentes acarretem perseguição e demissão profissional”, afirmou Fiorilo.
O clima de vigilância entre os funcionários
O economista afirma que se manifestou de forma pacífica e sem ofensas. Tarcísio percebeu o grito e chegou a fazer um aceno com a cabeça, segundo Ivan. No entanto, ele relata que logo após o ocorrido, notou que uma pessoa, supostamente da equipe do governador, o observava em uma lanchonete do outro lado da rua. Ivan suspeita que essa pessoa tenha tirado fotos suas para identificá-lo.
Na segunda-feira seguinte, dia 8/9, Ivan foi informado de sua demissão. “Falaram que o presidente da CDHU, o Reinaldo Iapequino, ligou no fim de semana para a Fipe, para os responsáveis do projeto, dizendo que tinha um relatório com o meu nome. E que era para me desligar imediatamente, sem explicar o porquê”, relata o profissional.
Consequências da demissão e a resposta da Fipe
Segundo Ivan, nem mesmo a empresa de consultoria tinha conhecimento do motivo do desligamento. “O pessoal lá ficou meio assim, não sabia, mas o cara é o presidente da empresa [CDHU]. Pelo que as pessoas da Fipe me falaram, eles não sabiam o que estava acontecendo. O meu chefe até perguntou se tinha vazado algum vídeo meu, alguma coisa. Só que o presidente da empresa estava com o meu nome lá com ele, falou de dossiê, um relatório com tudo sobre mim e mandando me tirar da consultoria”, diz.
A reportagem apurou que, internamente, chefes de Ivan na consultoria afirmaram que a decisão era, de fato, por motivações políticas, que a ordem era de cima e que “não tinha o que fazer”. O clima entre os funcionários é de vigilância e receio de se manifestar, pelas redes sociais ou em ambientes de trabalho. Ivan lamenta: “Onde está a liberdade de expressão que eles [bolsonaristas] tanto defendem? Do meu ponto de vista, os principais culpados são o Tarcísio, o grupo dele e o presidente da CDHU. A Fipe foi obrigada a me demitir.”
O Metrópoles questionou o governo Tarcísio, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação. A Fipe, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que não vai comentar o caso.
Notícia feita com informações do portal: www.metropoles.com










