A notícia da morte de Ângela Ro Ro, aos 75 anos, no Rio de Janeiro, na última segunda-feira, 8 de setembro, ecoou com pesar no cenário musical brasileiro. A cantora, conhecida por sua voz rouca e letras viscerais, lutava contra uma infecção pulmonar e outras complicações de saúde que a levaram a internações e procedimentos invasivos nos últimos meses.
Desde o início do ano, a artista havia compartilhado sua difícil situação financeira nas redes sociais. Sem recursos para arcar com o tratamento médico, Ro Ro recorreu a campanhas online, expondo a fragilidade de sua condição e a ausência de uma rede de apoio robusta no meio artístico. A artista revelou ter recebido apenas R$ 800 de direitos autorais, valor insuficiente para suas necessidades básicas.
A trajetória de Ângela Ro Ro, marcada por sucessos e transgressões, contrastava com a realidade enfrentada em seus últimos dias. “Depois que o tempo passar sei que ninguém vai se lembrar que eu fui embora. Por isso é que eu penso assim, se alguém quiser fazer por mim, que faça agora…”, dizia a canção de Nelson Cavaquinho, citada em meio à comoção pela falta de solidariedade demonstrada em vida.
Nascida em 1949, no Rio de Janeiro, Ângela Ro Ro despontou como uma das vozes mais originais da MPB. Seu álbum de estreia, em 1979, consagrou canções como “Amor, Meu Grande Amor” e “Tola Foi Você”, estabelecendo-a como um ícone da música brasileira. Ao longo de sua carreira, Ro Ro lançou mais de dez álbuns e colaborou com grandes nomes como Maria Bethânia, Luiz Melodia, Cazuza e Ney Matogrosso.
Além do talento musical, Ângela Ro Ro também se destacou por sua autenticidade e coragem ao se assumir publicamente como lésbica nos anos 80. Sua irreverência e estilo único a colocaram ao lado de outras mulheres vanguardistas como Rita Lee, Joana e Zélia Duncan. Ro Ro deixa um legado de 145 canções e uma marca indelével na história da música brasileira, celebrada por sua paixão e intensidade.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










