A alfabetização no Brasil, um campo crucial na educação, tem sido palco de intensos debates e transformações ao longo das décadas. Desde a ênfase nas políticas da década de 1930, conforme apontado por Mortatti (2010), até as discussões contemporâneas sobre métodos e abordagens, o processo de alfabetização tem evoluído constantemente.
No entanto, a busca por mensurar o progresso através de avaliações em larga escala, muitas vezes, reduziu a alfabetização à mera decodificação e cálculos básicos. Essa abordagem negligencia a complexidade da leitura e da escrita, bem como a importância de uma compreensão mais profunda e contextualizada.
Um dos pontos centrais desse debate reside na disputa entre métodos sintéticos (alfabético, fônico e silábico) e analíticos (palavração, sentenciação e global). Enquanto os métodos sintéticos focam na relação entre letras e sons, os analíticos partem de unidades maiores, como palavras e frases. Ambos, entretanto, podem negligenciar o papel ativo do aluno na construção do conhecimento.
Artur Gomes de Morais e Magda Soares, entre outros autores, defendem abordagens que superem essa dicotomia, integrando o ensino das habilidades de leitura e escrita em contextos significativos. A introdução do conceito de letramento na década de 1990, impulsionada por Mary Kato, ampliou a visão sobre a alfabetização, enfatizando a importância da interação com diferentes tipos de textos e práticas sociais de leitura e escrita.
A teoria da Psicogênese da Língua Escrita, de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, revolucionou a forma de entender a alfabetização, ao reconhecer o protagonismo do aluno na (re)construção da escrita alfabética. Essa perspectiva construtivista valoriza as hipóteses e os processos cognitivos envolvidos na aprendizagem da leitura e da escrita.
Atualmente, a alfabetização numa perspectiva de letramento, defendida por Solange Alves de Oliveira-Mendes, busca integrar o aprendizado do sistema de escrita alfabética com a imersão em diversos gêneros textuais. Essa abordagem visa garantir que os alunos desenvolvam não apenas a habilidade de ler e escrever, mas também a capacidade de compreender, interpretar e produzir textos de forma autônoma e crítica.
Embora o acesso à escola tenha se expandido, a qualidade do ensino ainda representa um desafio. Magda Soares (2020) ressalta que a universalização do Ensino Fundamental não garantiu a democratização da educação. É crucial investir na formação de professores, propor políticas de Estado consistentes e valorizar a carreira do magistério, para que, como afirma Soares, “toda criança possa aprender a ler e a escrever”.
Superar o fracasso na alfabetização e no letramento, especialmente nas escolas públicas, exige um esforço conjunto. É imperativo oferecer uma educação de qualidade para todas as crianças, independentemente de sua origem social, garantindo-lhes o direito de se apropriarem da leitura e da escrita como ferramentas de transformação e participação na sociedade.










