A crescente representatividade LGBTQIAPN+ na mídia, com figuras proeminentes na música e influenciadores digitais bombando nas redes sociais, tem popularizado expressões antes restritas a nichos específicos. Termos como “arrasou”, “luxo” e “babado” invadiram o cotidiano, impulsionados pela presença de personagens e artistas gays em séries, filmes e plataformas como Instagram, onde influenciadores como Bruno Baroni ganham destaque. Mas por trás do brilho e da irreverência, esconde-se uma complexa dinâmica psicológica, segundo especialistas.
O sociólogo Martin Levine, em seu livro “Gay Macho: The Life and Death of the Homosexual Clone”, argumenta que o uso excessivo de humor e uma linguagem peculiar podem funcionar como um mecanismo de defesa. Expressões como “aqué” (dinheiro), “dar a Elza” (roubar) ou “colocón” (enlouquecimento) seriam, para o autor, formas de mascarar dores e traumas mais profundos, transformando a comunicação em um “bafón linguístico-comportamental”.
Levine associa essa dinâmica à figura paterna frequentemente ausente ou problemática na vida de homens gays. A busca por uma masculinidade idealizada e a dificuldade em aceitar essa ausência levariam a uma “compensação da tristeza”, substituindo a falta de afeto paterno por uma “alegria fechativa”. “O pênis simbólico é a representação que dá contorno à psique, individuando-a”, explica Levine, sugerindo que a linguagem “penetrante” e jocosa seria uma forma de compensar essa carência.
Nesse contexto, a linguagem extravagante e muitas vezes escandalosa, longe de ser apenas uma expressão de alegria e identidade, pode ser um sintoma de uma busca inconsciente por algo que faltou na infância. A aparente leveza esconde, portanto, uma história de ausências e dificuldades, expressa através de neologismos e expressões que, por trás da piada, carregam um peso emocional significativo.
Assim, da próxima vez que a gíria peculiar surgir em uma conversa, vale a pena lembrar que por trás da aparente diversão pode existir uma história complexa de ausência e busca por aceitação. A linguagem, nesse caso, se torna um espelho que reflete não apenas a identidade, mas também as feridas emocionais de uma comunidade que, por vezes, esconde a dor por trás de um sorriso.










