Movimentações do mercado refletem incertezas políticas e econômicas.

O dólar opera em alta, impulsionado por dados de inflação nos EUA e o julgamento de Bolsonaro.
O dólar avança nesta segunda-feira (8), com investidores atentos aos dados de inflação nos Estados Unidos e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A moeda norte-americana à vista operava em alta, refletindo uma cautela no mercado financeiro, com a cotação alcançando R$ 5,438 às 11h54, um aumento de 0,46%. Além disso, o dólar futuro na B3 recuava 0,17%, cotado a R$ 5,436.
Cenário econômico e político atual
O aumento do dólar é impulsionado por fatores internos e externos. Internamente, o foco no julgamento de Bolsonaro, que pode gerar repercussões significativas, está gerando incertezas entre os investidores. A expectativa é de que a decisão sobre sua responsabilidade na tentativa de golpe de Estado seja divulgada até o fim da semana. Isso cria um ambiente de volatilidade no mercado cambial.
Externamente, o cenário econômico nos EUA também é um ponto de atenção. A possibilidade de um afrouxamento monetário por parte do Federal Reserve está sendo considerada, especialmente após a divulgação de um fraco relatório de payroll na semana passada, que pode influenciar a política monetária americana.
O que impacta o mercado nesta segunda-feira
Além do julgamento de Bolsonaro, a renúncia do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, adiciona um novo nível de incerteza ao mercado. Ishiba, após perder várias eleições, decidiu deixar o cargo, o que pode afetar a estabilidade política do Japão, a quarta maior economia do mundo. Esse movimento impacta diretamente o iene, que, embora tenha cedido frente ao dólar, não foi suficiente para evitar a queda do índice do dólar (DXY), que caiu 0,36%, a 97,521.
Projeções do Banco Central
O relatório Focus do Banco Central trouxe poucos ajustes nas expectativas para o câmbio. A mediana projetada para o dólar ao final de 2025 foi reduzida de R$ 5,56 para R$ 5,55, ainda acima do patamar atual. Para 2026, a previsão foi ajustada de R$ 5,62 para R$ 5,60. Essa estabilidade nas projeções reflete uma confiança moderada dos economistas, mas a expectativa de um dólar abaixo de R$ 5,40 foi mencionada como possível, desde que haja uma fraqueza sustentada do dólar americano.
Expectativas dos analistas
As estrategistas do Morgan Stanley, Ioana Zamfir e Sofia Palacios, indicaram que a volatilidade deve aumentar com os processos legais envolvendo Bolsonaro. Eles preferem uma abordagem neutra, mantendo exposição no mercado de juros em vez de se arriscar em mudanças abruptas nas taxas de câmbio.
Movimentações do Banco Central
O Banco Central anunciou um leilão de até 40.000 contratos de swap cambial para rolar vencimentos de 1º de outubro de 2025. Essa medida busca estabilizar o mercado e controlar a volatilidade cambial em um momento de incertezas políticas e econômicas.
A atenção dos investidores deve permanecer voltada para a evolução do julgamento de Bolsonaro e para os dados de inflação nos EUA, que influenciam diretamente a dinâmica do câmbio. O cenário permanece delicado, com os próximos dias prometendo movimentações significativas no mercado financeiro.










