A recepção calorosa da torcida no Maracanã, durante a partida contra o Chile, sinaliza um novo momento para a seleção brasileira. A atmosfera positiva, impulsionada pela expectativa em torno da chegada de Carlo Ancelotti, injetou ânimo nos jogadores, ansiosos por apresentar um futebol envolvente e ofensivo.
O domínio em campo, embora não plenamente refletido no placar no início, demonstra a influência do técnico italiano. A torcida, por sua vez, respondeu com entusiasmo a cada lance, celebrando a ousadia de Estêvão, coroada com um belo gol de bicicleta, em uma demonstração de apoio que há tempos não se via nos estádios brasileiros.
No segundo tempo, a entrada de Luiz Henrique, atendendo ao clamor da torcida, revitalizou o ataque. De seus pés, surgiram os passes decisivos para os gols de Lucas Paquetá e Bruno Guimarães, consolidando a vitória e reacendendo a chama da esperança.
No entanto, a análise da partida inevitavelmente esbarra em questões controversas. A situação de Bruno Henrique, envolvido em um inquérito sobre manipulação de resultados, levanta questionamentos sobre a atuação da Justiça esportiva. A exclusão da África do Sul pela Fifa no passado, devido ao apartheid, contrasta com a permissão para Israel continuar competindo, apesar do conflito em curso, evidenciando uma incoerência nos critérios da entidade.
Ancelotti, alheio a essas polêmicas, concentra-se em sua missão: devolver a confiança e a alegria ao grupo. A próxima partida, contra a Bolívia em La Paz, representará um desafio considerável devido à altitude. Resta saber se a equipe estará preparada para superar as adversidades e confirmar o renascimento do futebol brasileiro sob o comando do técnico italiano.
Concluindo, Juca Kfouri, citando Luis Fernando Verissimo, compara Pelé a um mestre da escrita: “Sempre achei que o melhor professor de português do Brasil foi o Pelé… O sentido de tudo que o Pelé escrevia com a bola no campo era o gol. A lição para escritores é: defina o seu gol e tente chegar lá como o Pelé chegaria.”










