Após 15 anos de luta contra a dependência química e a prostituição nas ruas de Dourados, Monique Rocha, 37 anos, trilhou um novo caminho. Abandonando o vício que a consumia, ela se dedica agora à conclusão do curso de técnico em enfermagem, vislumbrando um futuro promissor no centro cirúrgico.
O ponto de virada em sua vida ocorreu após um período de reabilitação em um projeto social da igreja Ministério Pentecostal Tabernáculo da Glória, em Campo Grande. “Nessa conversa, eu pedi para Deus: Me dê desejo para parar de usar drogas. Me dê força de vontade. Porque, se eu tiver isso, sei que vai funcionar”, relata Monique, sobre o momento crucial em sua jornada.
Enfrentando o preconceito por ser uma mulher trans, Monique encontrou dificuldades em obter acolhimento. “Eu não conseguia nenhuma casa de acolhida. Não me aceitavam. E uma trans numa comunidade masculina, ela não viveria essa recuperação”, explica.
No entanto, a persistência e a fé a levaram de volta ao projeto social, onde teve a oportunidade de estudar e descobrir sua vocação na área da saúde. “Eu precisava de uma profissão para sair daqui segura. E não imaginava que ia gostar tanto”, afirma. O impacto de presenciar uma cirurgia cardíaca a motivou a seguir a instrumentação cirúrgica.
Atualmente, Monique se dedica aos estudos e vislumbra um futuro brilhante. “O desejo [de usar drogas] vem, mas não existe mais para mim essa possibilidade. Eu estava cansada, era uma vida triste. Sem a droga, eu voltei a ver beleza na vida. É bonito ver uma rosa desabrochar”, finaliza, evidenciando a transformação radical em sua vida.










