Governador do Rio Grande do Sul afirma que perdão seria prejudicial ao País e defende respeito às decisões do STF.
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), declarou nesta quarta-feira, 3, ser contrário à anistia a Bolsonaro e aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A fala foi feita em entrevista à rádio Gaúcha, no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou o julgamento do ex-presidente.

“Eu sou contra. Sou contra a anistia”, disse Leite de forma categórica, ao comentar a proposta que vem sendo defendida por setores da oposição e parte da base bolsonarista no Congresso Nacional.
Divergência com Tarcísio e Zema
Durante a entrevista, Leite destacou que, apesar de ter afinidade política com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, em pautas econômicas e de gestão, a questão da anistia representa um ponto de divergência.
“Tenho muita convergência com o governador Tarcísio em visão do tamanho do Estado, em reformas, em concessões, em parceria com a iniciativa privada. Tenho divergência nesse ponto, acho um erro o tema da anistia. Acho ruim para o País”, afirmou.
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Além de Tarcísio, outro nome que defende a medida é Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais e também pré-candidato à Presidência em 2026. Ambos articulam em Brasília a favor da anistia a Bolsonaro, sob o argumento de que o perdão poderia contribuir para a “pacificação nacional”.
Debate no Congresso e posição do STF
A proposta de anistia vem sendo discutida nos bastidores do Congresso, embora ainda não exista confirmação de que será pautada pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Leite defendeu que qualquer debate legislativo só ocorra após a conclusão do julgamento no STF. Para ele, é essencial respeitar o trâmite legal já em andamento.
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“É legítimo ao Congresso discutir, a figura da anistia está presente na nossa legislação. É discutível, do ponto de vista técnico-jurídico, se ela se aplica no caso de tentativa de golpe de Estado. Mas não acho saudável que se discuta nesse momento”, afirmou.
Defesa das instituições
O governador do Rio Grande do Sul também reforçou a importância de respeitar o papel das instituições democráticas e lembrou que o processo contra Bolsonaro e seus aliados segue um rito legal.
“Tem um inquérito policial promovido pela Polícia Federal, vai para outra instituição, que é o Ministério Público Federal, e depois vai para outra instituição ainda, que é o STF, que tem ministros escolhidos por diferentes presidentes da República, chancelados pelo Congresso Nacional, e que vão tomar uma decisão em um órgão colegiado”, explicou.
Leite ainda destacou que houve uma série de ações que buscaram descredibilizar as eleições e que essas circunstâncias precisam ser avaliadas pelo Supremo. “Falar de anistia não me parece nada adequado do ponto de vista do amadurecimento institucional brasileiro”, disse.
Contexto do julgamento
O julgamento de Bolsonaro e de outros réus acusados de participação nos atos de 8 de janeiro teve início nesta semana. Durante a primeira sessão, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, rejeitou o argumento da pacificação como justificativa para anistia.
“O caminho aparentemente mais fácil, que é da impunidade e da omissão, deixa cicatrizes traumáticas à sociedade e corrói a democracia, como lamentavelmente o passado recente do Brasil demonstra”, disse Moraes.
Ele ainda reforçou que confundir pacificação com impunidade pode abrir espaço para novas tentativas de golpe de Estado.
Implicações políticas
As declarações de Eduardo Leite surgem em um momento de movimentação intensa no cenário político nacional. De um lado, Tarcísio de Freitas e Romeu Zema ensaiam consolidar suas posições como possíveis sucessores de Bolsonaro no campo da direita. De outro, o Supremo Tribunal Federal busca impor responsabilização aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
Ao se posicionar contra a anistia a Bolsonaro, Leite reforça sua imagem como defensor da legalidade institucional, ainda que se distancie de potenciais aliados eleitorais em 2026. A postura também marca diferença em relação ao discurso de pacificação defendido por parte da oposição, sinalizando uma disputa de narrativas sobre como o País deve lidar com os episódios golpistas.










